Clube do Livro #3: Fahrenheit 451
24.06.2018

No Clube do Livro do mês passado nós lemos Fahrenheit 451. Escolhemos por causa do dia do Orgulho Nerd e também pela estréia do filme. Investimos em um jantarzinho árabe e entre risadas discutimos esse clássico. A curiosidade é que Fahrenheit 451 é a temperatura exata em que um papel pega fogo.

Os bons escritores quase sempre tocam a vida. Os medíocres apenas passam rapidamente a mão sobre ela. Os ruins a estupram e a deixam para as moscas. Entende agora por que os livros são odiados e temidos? Eles mostram os poros no rosto da vida.

Sinopse

Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga.

Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem “famílias” com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fatos reais.

Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus “parentes televisivos”, enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo.

O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória.

Um clássico de Ray Bradbury, “Fahrenheit 451” é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer.

Bárbara

O que mais me chamou a atenção em Fahrenheit 451 foi o fato de ter sido escrito em meados dos anos 50, abordando uma realidade distópica que se passaria no futuro e mesmo assim me identificar tanto com ela. Não é difícil perceber que a alienação causada pela tecnologia e total falta de profundidade nos relacionamentos é um fato já observável nos dias de hoje, e foi bem triste me dar conta de que apesar de não vivermos em uma sociedade em que livros são proibidos e queimados, vivemos em uma sociedade que cada vez menos pessoas se interessam por eles. Esse livro me fez questionar se isso não é ainda pior.

Fernanda

Fahrenheit 451 não é um livro simples. Sua leitura progride devagar enquanto observamos o mundo do protagonista, um lugar onde a diversão e felicidade é valorizada acima de tudo e todos. No mundo de Fahrenheit 451 as pessoas estão anestesiadas pelo entretenimento.
Então acompanhamos a trajetória do protagonista ao questionar essa vida quando conhece alguém que era diferente dos demais. O livro me surpreendeu em diversos momentos: seja a profundidade de personagens secundários, seja sua ambientação fascinante explorando um futuro que mesmo imaginado por volta dos anos 50 nos parece terrivelmente real hoje em dia.

Luma

Talvez eu não devesse ter lido a sinopse ou ter visto o trailer porque me senti enganado por ambos. Antes de qualquer coisa esperava uma especie de A Menina Que Roubava livros, mas não chegou nem perto. Apesar de ter achado a premissa interessante, achei que faltou um pouco mais de aprofundamento nos personagens.

E é um tanto assustador ver que já vivemos um pouco da realidade desse livro considerado ser ficção, onde olhamos somente para o nosso umbigo e que educação já não é prioridade dos nossos governantes. Afinal de contas, pessoas cultas não se deixam trapacear facilmente. Encerro dizendo que o protagonista não chega nem aos pés do Beatty, o livro deveria ter sido sobre ele.

Sara

Imagine uma sociedade onde seus indivíduos estão tão anestesiados por remédios, tão influenciados pela televisão, uma sociedade onde os livros não são mais permitidos, onde são queimados por bombeiros (antes os que apagavam o fogo, agora os que o despertam), onde o torpor é o bem mais precioso.

Esse é o universo que encontramos em Fahrenheit 451, uma distopia primorosa da ficção científica que nos atenta para a alienação cada vez mais presente e pulsante em nós, 451 graus Fahrenheit é a temperatura necessária para que o papel fique em chamas e essa mesma chama é o nosso consciente ao final do livro, tão desperto para importantes questões.

 

Espero que tenham gostado e que estejam preparados para a nossa próxima leitura!

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