CLEÓPATRA E FRANKENSTEIN (COCO MELLORS)
21.07.2026

Cleópatra e Frankenstein, da Coco Mellors, já começa ganhando pontos pelo apelo visual, a capa é linda. Além disso, o título é curioso e até se conecta com os personagens. Cleo é uma deusa que chama atenção e seduz por onde quer que passe. Frank está tentando juntar os pedaços que insistem em continuar caindo sem que ele tenha qualquer controle sobre isso.

A história acompanha esse casal: Cleo, uma jovem artista que está prestes a voltar para Londres porque o visto americano está vencendo e Frank, um publicitário mais velho e bem sucedido que se apaixona instantaneamente por ela. Inicialmente, a química entre eles é invejável, mas logo as coisas mudam. O casamento que, em parte, é por conveniência vai desandando enquanto eles dividem a vida com amigos e familiares problemáticos e excêntricos. Talvez, nesse ponto, eu tenha achado a leitura um tanto longa e cansativa. É isso o que ganhamos quando pedimos por personagens repletos de humanidade, pessoas que podem estar desfilando por ai, esbarrando com a gente na rua.

Nova Iorque é parte central da história, esse livro não poderia ser ambientado em outro lugar. A cidade se confunde com a vida dos personagens deixando tudo ainda mais complexo e cheio de nuances. Cleo tem vinte e poucos anos e não consegue se encontrar. Entre o casamento com Frank que já está com quarenta e tantos, mas se recusa a deixar a juventude escapar pelos seus dedos e, Quentin o melhor amigo viciado em drogas, ela sente que sua juventude está sendo desperdiçada e a pior coisa pra ela é ter consciência disso. Já Frank não enxerga nada além de sucesso, tudo o que ele toca vira ouro, então como, ainda sim, ele pode se sentir tão infeliz e sobrecarregado?

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Gostei dos personagens, apesar de ser bem cansativo acompanhar tanta gente se autodestruindo enquanto tentam lidar com a visão do mundo sobre eles (é complicado ver nosso próprio reflexo no espelho quando não estamos tão bonitos, né?). Uma crítica que posso colocar aqui é que talvez Mellors tenha incluído muitos personagens. Fiquei com a impressão de que ela não teve tempo para trabalhar direito em todos eles, principalmente quando todos tem a mesma premissa: ou são homens mais velhos bem sucedidos que não conseguem aceitar que estão envelhecendo ou são jovens mulheres perdidas a respeito de tudo.

Para muita gente, o excesso de destruição pode parecer pedante e exagerado, mas, no final, o livro resolve bem tudo isso pra mim. Uma personagem, em especial, ganhou o meu coração e fez todo o resto valer a pena. Enquanto Cleo carrega consigo uma beleza estonteante e a famosa tristeza que só artistas são capazes de sentir, Eleanor é o total oposto. Descendente de judeus, essa mulher fascinante e completamente sem autoestima, é tão sagaz, crítica e engraçada que me fez ficar horas pensando nas páginas dela. Redatora na agência de Frank, essa mulher destoa de todos os outros e aqui mais uma vez a cidade se faz presente: enquanto o resto do núcleo está sendo engolido pela intensidade de Nova Iorque, ela vive em Nova Jersey, em uma realidade muito mais pacata.

São personagens beeeem complexos, o que fez valer a jornada. Já falei em várias resenhas que o que mais me marca em um livro é essa capacidade de criar algo complexo e próximo da realidade que, nesse caso é, de que é que ninguém é 100% bom ou ruim. Todo mundo acerta e erra e que somos capazes de mudar nossos destinos e reconstruir a própria história.

CITAÇÕES

“Eu acho que é assim que a vida deveria ser; partir em uma longa viagem de carro com todas as suas preocupações e esperanças amarradas ao seu redor, as pessoas que nos amam acenando freneticamente enquanto nos distanciamos.”

“— O buraco é a solidão — explicou Cleo baixinho. 
— Porquê? — disse Audrey. 
— Você não pode ficar acima de alguém e dizer para que saia de lá. — Ela disse. — Ou ensinar ou incentivar. Você tem que estar junto com a pessoa. 
— Você realmente acha que é isso? — perguntou Zoe. 
— É por isso que é um enigma — falou Cleo. — Alguém estar no buraco com você significa que você não está mais no buraco. 
[…]
— É assim que você se sente com Frank? — perguntou Zoe. — Como se alguém estivesse no buraco com você? 
Cleo olhou para os prédios apagados. A rua abaixo delas estava quieta e vazia. Parecia que elas eram as únicas pessoas ainda acordadas em toda a cidade. 
— Às vezes — disse. Ela parou para pensar mais um pouco. — E às vezes… Frank é o buraco.”

“Querida, o amor é humilhante. Ninguém nunca te disse isso?”

“Tudo o que ela sempre quis ouvir de um homem vinha da boca de uma garota.”

“— Ela era uma artista, como você. Com… Não sei explicar muito bem… o ego grande, mas a autoestima pequena?
— Parece correto.”

“Sua beleza era uma leve fonte de preocupação para Frank, decorrente de uma sensação incipiente de que toda mulher muito atraente que ele conhecia era, em segredo, profundamente infeliz.”

SINOPSE

Cleo, uma pintora inglesa de vinte e quatro anos, ainda está tentando encontrar o seu lugar na intensa Nova York, quando, alguns meses antes de seu visto de estudante vencer, conhece Frank.  Vinte anos mais velho, o publicitário Frank tem uma vida repleta de todos os excessos que faltam à de Cleo.
Ele oferece a ela a chance de ser feliz, a liberdade para pintar e a oportunidade de conquistar um visto permanente.
Ela proporciona a Frank uma vida regada à beleza e à arte – e a esperança de ser uma razão para que ele coloque fim às bebedeiras.
Mas o casamento por impulso muda a vida deles de forma irreversível, assim como a daqueles que estão próximos a eles, de uma maneira absolutamente imprevisível.

Cada capítulo explora a vida de Cleo, Frank e de um elenco inesquecível de amigos e familiares mais próximos enquanto eles crescem e amadurecem. Cleópatra e Frankenstein é um romance de estreia surpreendente e dolorosamente factível sobre as decisões espontâneas que moldam toda a nossa vida e aqueles relacionamentos imperfeitos nascidos em noites tão perfeitas quanto inesperadas.

CLEÓPATRA E FRANKESTEIN

Início da leitura: 31 de maio de 2026
Término da leitura: 23 de junho de 2026
Autor: Coco Mellors
Título original: Cleopatra e Frankestein
Editora: Astral Cultural
Ano: 2023
Número de páginas: 448
Gênero: Ficção Romântica

TALVEZ UM DIA (COLLEEN HOOVER)
22.06.2026

Eu li Talvez Um Dia pela primeira vez em 2016 e agora reli porque estou lendo todos os livros da minha estante para saber se vou manter ou passar pra frente. Foi muito bom reler, ver a minha resenha daquela época e perceber como as coisas mudaram e como os meus pensamentos amadureceram, mas e ai: será que essa história vai continuar morando na minha estante?

Sydney mora com o namorado e a melhor amiga e todo dia observa o vizinho da frente tocar violão na varanda. Como ela é estudante de música, ela escreve as letras que imagina para as melodias que ele toca. Eu amei essa ideia: duas pessoas se conectando por meio da música antes mesmo de se conhecerem de verdade.

O problema começa no aniversário de 22 anos de Sydney. O tal vizinho resolve revelar que o namorado e a melhor amiga estão tendo um caso. Desse ponto em diante, o livro toma uma direção curiosa: Arrasada e sem ter pra onde ir, Sydney vai morar com o vizinho que divide apartamento com o melhor amigo viciado em pornô e uma garçonete sem noção.
As novidades não acabam por ai: Syd descobre que o vizinho se chama Ridge e que ele é surdo.

Ali, entre composições e desabafos sobre a dor de ser traída, os dois desenvolvem uma sintonia que inevitavelmente vira outra coisa. O problema é que Ridge namora, mas não é só que ele namora. Ele namora Maggie, a garota mais linda, legal e querida do universo (na minha opinião, ela é a personagem mais bem construída do livro todo). Enfim, mesmo assim um beijo acontece. É isso. Depois de páginas e páginas amaldiçoando traidores, os protagonistas vão lá e… traem. A história se desenrola entre momentos moralmente questionáveis e muita culpa.

Ai você se pergunta: então, por que diaxo esse cabra não termina?

Por que ele é homem, né? kkk brincadeira.
A Maggie é uma mulher bem misteriosa e tem uma história que deixa Ridge MUITO resistente ao término. Na cabeça do querido, ele a ama demais e por mais que tenha sentimentos pela Syd, eles, no máximo, se igualam aos que ele sente pela Maggie.

A Sidney é uma SONSA. Não adianta, não consegui sentir empatia por eles porque, honestamente, tem hora que beijar é o de menos. Então, o que salva Talvez Um Dia é o que salva quase todo Hoover: a leitura é compulsiva. Você quer saber até onde vai aquilo tudo, mesmo quando está com raiva dos personagens. E tem um mérito real na decisão de fazer Ridge surdo: a surdez não é usada como ornamento, ela muda genuinamente a dinâmica da comunicação entre eles e as cenas de composição colaborativa têm uma intimidade que funciona. Mas vou ser honesta: quando Ridge começa a falar de uma hora pra outra, alguma coisa quebrou em mim. Pareceu uma concessão desnecessária, como se o livro tivesse desconfiado da própria escolha narrativa no final.

CITAÇÕES

— Você consegue ler lábios?
— Depende dos lábios.

Às vezes na vida, precisamos de alguns dias ruins, para manter os bons em perspectiva.

Por ela eu me curvo, por você eu quebro.

Não fiz nada nos últimos cinco anos além de tentar ser o herói que a protege. O problema? Heroínas não precisam de proteção.

SINOPSE

Sydney acabou de completar 22 anos e já fez algo inédito em sua vida: socou a cara da ex-melhor amiga. Até hoje, ela não podia reclamar da vida. Um namorado atencioso, uma melhor amiga com quem dividia o apartamento… Tudo bem, até Sydney descobrir que as duas pessoas em quem mais confiava se pegavam quando ela não estava por perto. Até que foi um soco merecido.

Sydney encontra abrigo na casa de Ridge, um músico cujo talento ela vinha admirando há um tempo. Juntos, os dois descobrem um entrosamento fora do comum para compor e uma atração que só cresce com o tempo. O problema é que Ridge tem uma namorada, e a última coisa que Sydney precisa agora é se transformar numa traidora.

TALVEZ UM DIA

Início da leitura: 28 de maio de 2026
Término da leitura: 31 de maio de 2026
Autor: Collen Hoover
Título original: Maybe Someday
Editora: Galera
Ano: 2016
Número de páginas: 368
Gênero: Ficção Romântica

HISTÓRIAS DE VÓ (A. AGNES)
04.11.2025

Histórias de Vó uma das resenhas mais difíceis que já precisei escrever, não porque o livro seja complexo, mas porque eu temia ser injusta. Medo de parecer tendenciosa, medo de acharem que eu estaria elogiando em benefício próprio. Mas a verdade é simples: deixar de falar sobre Histórias de Vó seria um desperdício. Esse livro é um tesouro da nossa história e merece ser lido, celebrado e protegido.

Pra você que ainda não sabe, eu fui, com muito orgulho, a revisora desse trabalho. Confesso: tive medo de aceitar. Tive medo de ter que dizer que não era bom. Mas bastaram as primeiras páginas para esse receio ir embora. Quando percebi, já estava completamente mergulhada em um dos projetos mais emocionantes e especiais da minha carreira.

Histórias de Vó nos conduz por mistérios, segredos e memórias ancestrais do cerrado, atravessando gerações por meio de oito narrativas fantásticas inspiradas em mulheres lendárias: nossas avós.

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PEQUENO MAPA DO TEMPO (HELLEN SOUZA)
17.09.2025

Pequeno Mapa do Tempo é uma coletânea de dez contos da vida cotidiana protagonizados por mulheres que provocam nossos sentimentos da forma mais humana possível. Já pelo trecho da capa, podemos ter a certeza de que esse livro vai nos tocar profundamente, pois são histórias que poderiam acontecer com qualquer um.

“Contrariando as previsões, não choveu naquela manhã, dia claro, úmido.
Pássaros escandalosos, felizes.
Ainda não sabiam do ocorrido. Nenhuma estranheza os fizesse desconfiar, nada de pressentimentos, calafrios. Ninguém cochichando pelos cantos. Manhã comum, domingo de dezembro.
Seu Arlindo ajeita o carvão na churrasqueira. Joana coloca a cerveja numa dupla de copos americanos.
Crianças gritam empinando pipas na rua. Um cachorro late tentando se soltar da coleira. Arroz pronto, vinagrete apimentado, farinha, limão. Rotinas.
Nenhuma suspeita da ameaça à tranquilidade dominical.”

Em seus contos, a escritora goiana, Hellen Souza, nos convida a passear pelas ruas da vida ao som de belas canções e não economiza nas dores que depois conforta com o desconforto de pensarmos o que quisermos.

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LIVROS TOCANTINENSES NA MINHA ESTANTE
02.09.2025

Nasci em Palmas e cresci ouvindo que meu estado não tem cultura própria. Isso me deixava apavorada, afinal de contas, cultura é o que nos conecta, nos dá identidade e nos faz sentir pertencentes a um lugar. Graças aos céus, eu cresci e vi que isso não é verdade. O Tocantins é um estado muito vasto culturalmente falando, por isso, é tão especial olhar para a estante e encontrar nela escritores tocantinenses, muitos deles jovens, que estão construindo histórias e deixando suas marcas no mundo. Cada livro é um tesouro que carrega a voz de quem escreve, o reflexo do nosso tempo e a força de um estado que pulsa criatividade. Estar rodeada dessas obras é também estar rodeada de futuros, de sonhos e de uma riqueza cultural que merece ser celebrada.

ALGIBEIRA DOS OLHOS – TÁCIO PIMENTA

Sobre o livro: Uma coletânea de 61 poemas divididos em sete partes e 121 páginas que contam ainda com ilustrações de Álvaro Maia. Eu, que adquiri o livro recentemente, tive que pesquisar o que era algibeira e não me arrependi. Já vi algumas poesias sendo recitadas pela cidade e me apaixonei antes mesmo de abrir a primeira página.

“Aqui, a cor e a dor de cada instante tenta atrasar os ponteiros, reter-se em palavras: transmuta-se em sensações. São, decerto, poemas, de carne e nervura, de avessos e entranhas, se esticando para roçar delicadamente o intangível da existência.”
Sobre o autor: Tácio Pimenta é baiano de Eunápolis, mas, também, paraense de Belém, maranhense de Imperatriz e, em especial, tocantinense de Palmas, onde vive desde 2005. Jornalista de formação pela Universidade Federal do Tocantins e redator publicitário de oficio, encontrou na poesia uma lugar propicio para experimentar, brincar e amar as palavras sem deadline.
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BINDING 13 (WALSH CHLOE)
22.07.2025

Binding 13 é um slow burn que conta a história de Johnny Kavanagh. Aos 17 anos o cara é uma máquina. Ele respira rúgbi e é ótimo no que faz, uma lesão grave, porém, está colocando sua carreira em risco. Apesar da pouca idade, Johnny circula entre os adultos com facilidade e tenta ser bem maduro, garotas nunca foram um problema, até agora. Shannon Lynch é a novata da escola, ela é tímida e misteriosa, seus segredos são perigosos.

Tá, vamos lá, eu normalmente não curto muito esses romances em que nada acontece, feijoada. Eu fiquei bastante entediada até um pouquinho antes da metade. Apesar de depois ter fluido muito bem, o livro poderia ter tranquilamente 300 páginas a menos. Quem escreve um romance adolescente de 700 páginas, meu deus?

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O IMPULSO (AUDRAIN, ASHLEY)
28.05.2025

O Impulso, de Ashley Audrain, foi o livro do mês no clube do livro e rendeu um debate bem interessante sobre maternidade compulsória e o medo de crianças com caráter… duvidoso.

A história acompanha quatro gerações de mulheres: Etta, a mãe negligente de Cecília; Cecília, que abandonou a filha Blythe; Blythe, que narra a maior parte da história e também não sabe como se conectar com sua filha Violet, uma criança que, desde o nascimento, parece carregar algo de estranho.

Violet faz coisas que a gente só percebe se olhar de MUITO perto. E coisas estranhas acontecem quando ninguém está olhando. Blythe não é uma narradora confiável, então a grande pergunta que ronda a leitura é: aconteceu mesmo ou foi tudo coisa da cabeça dela?

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ORAÇÃO PARA DESAPARECER (SOCORRO ACIOLI)
24.02.2025

Oração para Desaparecer apareceu no meu feed por meses, sempre com ótimas avaliações e resenhas bem elaboradas, então fui com muita sede ao pote, mas infelizmente, para mim, não funcionou.

A história de Aparecida começa de forma intrigante: ela é desenterrada viva em Portugal, nua, careca e sem memórias de quem foi. No entanto, essa premissa promissora logo se perde. Uma família a acolhe e explica que ela é uma ressurrecta (essa palavra kkkk), ou seja, uma pessoa que quase morre em algum lugar do mundo e reaparece em outro ponto. A função dessa família é incentivá-la a recuperar suas lembranças.

Aparecida tem sonhos confusos nos quais pequenos fragmentos de sua antiga vida aparecem, mas nada parece se conectar de verdade.

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O MILAGRE DA MANHÃ (HAL ELROD)
30.01.2025

O Milagre da Manhã – Livros de autoconhecimento possuem muitos admiradores e muitos haters. Eu fico no meio: não acho que sejam grandes coisas, capazes de promover mudanças de vida, mas acho que podem ser motivadores, inspiradores e o mais importante: uma grande ferramenta para sabermos como está o nosso termômetro de pensamento crítico.

Eu sou uma pessoa zero matinal, nunca fui uma pessoa que tem facilidade de acordar cedo, por isso, me interessei pelo Milagre da Manhã. O livro que promete mudar a sua vida antes das oito da manhã. Quero começar essa resenha dizendo que 50% do livro é o cara tentando te vender a plataforma de coach dele, 45% repetindo as informações com outras palavras (ele também tira um tempo tempo pra explicar o que a palavra “intencional” significa). Além disso, alguns dados surgem do nada com a fonte sendo: acabei de ler um artigo apenas (tipo quando eu digo “depois de ler em meu TikTok…”), por isso vou tentar focar essa resenha nos 5% que aproveitei da leitura, além de trazer reflexões baseadas em artigos (creditados no final)  sobre capitalismo e sono.

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SEDUTOR: SELVAGEM IRRESISTÍVEL
17.10.2024

Sedutor: Selvagem Irresistível promete ser um romance envolvente, com uma protagonista em busca de autodescoberta e um cenário que vai de Las Vegas a Paris. No entanto, apesar da premissa interessante e de alguns pontos altos, o livro deixa a desejar em certos aspectos.

Personagens

A história é narrada do ponto de vista de Mia, uma ex-bailarina que teve sua carreira interrompida por um acidente que fraturou sua perna. Além disso, ela precisa lidar com um pai abusivo e o fato de estar prestes a iniciar uma faculdade de administração em Boston, algo que ela detesta. A escritora descreve Mia como uma pessoa tímida e retraída, mas suas atitudes ao longo da história não condizem com essa descrição. A falta do princípio “show, don’t tell” enfraquece a construção de sua personalidade, tornando-a pouco envolvente.

Em contrapartida, Ansel, apresenta muito mais nuances. Apesar de Mia narrar a história, é Ansel que ganha destaque com uma trajetória mais rica: ele é um francês impulsivo que trabalha em um emprego que o sobrecarrega e sua vida é envolta de mistérios como, por exemplo, sua relação com Perry. Essa disparidade entre os dois protagonistas prejudica a conexão com Mia, deixando-a em segundo plano na própria narrativa.

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MINHA RELAÇÃO COM OS LIVROS
02.01.2024

Minha relação com os livros – Eu sempre gostei de ler, lia de tudo: quadrinhos, revistas científicas, manual de agricultura e livros. Uma época, esse hobby se intensificou e eu comprava muitos livros e obviamente não dava conta de ler tudo, era frustrante. Quando trabalhei em livraria então, foi  um Deus nos acuda. O blog era majoritariamente sobre livros. Então essa relação cansou, seja por causa da pilha de livros não lidos, seja pelo estilo dos livros que agora pareciam as mesmas histórias com nomes diferentes ou pelo julgamento de ler por entretenimento.

Então o que era prazeroso se tornou um fardo. Queria ler coisas inteligentes, meus livros estavam ficando velhos e manchados e então fui me livrando de um por um. Antes eu me empolgava, sabia de todas as novidades e tinha uma TBR imensa, gostava de ler profundamente, fazer pesquisas, entrevistar pessoas a respeito do livro, esmiuçar detalhes e colecionar trechos… Leio minhas resenhas e uau! Eram coisas bem elaboradas com fotos de arrasar.

Queria voltar no tempo e bem, no tempo não podemos voltar e você não faz ideia de  quanto isso estava me ferindo. Por isso, estou querendo resignificar tudo esse ano e olhar as coisas com o que eu julgo ser mais maduro. Então como vai funcionar a categoria livros em 2024? Vamos registrar pra voltar aqui e ver se estou agindo de acordo.

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THE CHASE (ELLE KENNEDY)
19.07.2023

The Chase é a continuação da série off campus (amores improváveis). Eu adoro o Garrett, Logan, Dean e Tucker e em A Conquista, um personagem me chamou atenção: Colin Fitzgerald.

Colin Fitzgerald, ou apenas Fitz, é jogador de hockey, mas também é um nerd de carteirinha. Ele ama jogar videogame, a ponto de começar a criar seus próprios jogos. Desenhar também é uma paixão e ele deixa isso bem claro seus braços cobertos por tatuagens. Fitz não gosta de chamar atenção pra si, ele prefere comer pelas beiradas.

Já Summer DiLaurentis (sim, a irmã do Dean!) atrai atenção por onde anda, não só pela beleza estonteante ou roupas de marca. Ela é engraçada e gosta de farra como ninguém.
E aí, os opostos se atraem?

A trama me lembrou um pouco O Erro (livro do Logan). Fitz se sente atraído por Summer, mas não pelo o que ela atrai. Acostumado a não chamar atenção para si próprio, ele não é muito bom em ser aberto em relação a sentimentos porque desde pequeno aprendeu que as palavras podem se voltar contra ele. Tudo se complica ainda mais quando um de seus amigos se abre e diz que está apaixonado pela garota.
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Summer foi uma personagem que me surpreendeu muito. Imaginava uma garota mimada, cheia de vontades, mas ela se saiu uma feminista de primeira e uma coisa muito importante aconteceu: Summer tem dificuldades de aprendizagem, cara, eu adorei demais isso.
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Se vocês esperam um livro cheio de ações e beijos, não recomendo esse. A relação entre eles é construída no decorrer da leitura, mas só rola mesmo depois de mais da metade do livro. Não achei isso uma coisa ruim, mas confesso que me deixou impaciente. Amei reencontrar os personagens e ver em que pé eles estão!

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@lumiconunes