ASSISTI O MEU FILME FAVORITO
05.11.2026

— Mas ele ama ela, apesar de não ter tempo de conversar tanto pelo telefone — você disse depois de me contar que o seu amigo casado estava trocando nudes com uma colega de trabalho.
— Ama mesmo? — perguntei, mordendo a bochecha.
— Acho que sim — você respondeu tentando parecer neutro, mas julgando a situação.
— Não tem tempo de falar com a esposa no telefone, mas tem para trocar nudes com outra pessoa?
Silêncio.

Lembrei disso e fui assistir o meu filme favorito. Esse é o segundo episódio da série coisas que eu faço para te esquecer.

O meu filme favorito é Infidelidade (2002). Juro, não estou inventando, assisti umas dez vezes (eu gosto muito das coisas que eu gosto, lembra?). Connie Sumner vive uma vida comum no subúrbio com o marido Edward e o filho Charlie. Por acaso, sua vida cruza com o charmoso Paul Martel, um jovem francês que muda a vida da família para sempre.

Eu gosto da história, mas a minha parte favorita é a fotografia. Tudo começa com uma ventania. Em Palmas venta bastante, ou ventava pelo menos, o clima tá estranho. Lembra quando eu te contava as coisas daqui e você se virava na cama para me ouvir?
Enfim, nessa ventania doida, Paul e Connie se esbarram, o que leva a um machucado no joelho, o que leva a ela indo pro apartamento cheio de livros dele várias e várias vezes…

Você teria gostado da trilha sonora… Um piano melancólico, sensual e dramático. Te lembra alguém?
Um dia você me chamou pra ir ao cinema. Sabia que nessas horas é que eu te acho mais cruel? Todas as vezes plantando uma sementinha de coisas que você sabia que não iam acontecer e não deixando acontecer de propósito.

Voltando ao filme. O lance do Paul e da Connie me lembrou o nosso esquema: eles viviam tudo dentro do apartamento dele, um pequeno universo onde eles podiam se enganar dizendo que eram felizes. Sinto falta do quartinho. Então, o filme vai indo por esse lado até o final inevitável: o marido de Connie descobre tudo. Vou parar por aqui porque não quero te dar spoilers, mas tem um detalhe que sempre me pega.

LEIA O PRIMEIRO EPISÓDIO AQUI.

Em determinado momento, uma cena corta tudo e dá uma versão do que poderia ter acontecido se Connie simplesmente tivesse dado as costas para aquele lindo francês. Uma versão alternativa dos fatos onde eles seguiriam estranhos. Ele voltaria para os seus livros sozinho, ela iria para casa e nada trágico aconteceria. Por que você simplesmente não me deixou em paz?

Fiquei pensando em todas as vezes que eu poderia e deveria ter caído fora. Até caí uma vez, mas preocupada com os seus sentimentos, apesar de tudo, carinhosamente busquei uma retratação. Não queria voltar, lembro de ter gravado aquele áudio um milhão de vezes, preocupada em não apontar culpados, não querendo que fosse um pedido para voltarmos. Eu só queria que você não tivesse se machucado por causa de uma grosseria. Que ironia. Orson Wells dizia que se você quer um final feliz, depende de onde vai parar a história. Acho que as coisas teriam sido diferentes se eu tivesse ficado por aqui. Eu ainda te admiraria, talvez até gostasse um pouquinho.

A TRILHA SONORA DE INFIDELIDADE ESTÁ AQUI.

Bom, no final, a lição do filme é que as coisas acontecem quando deixamos acontecer. Eu deixei. Você me deixou. Eu estava me punindo por tudo: ter te conhecido, ter ficado vulnerável e o pior: ter deixado você saber. Mas honestamente, nesse ponto estou até orgulhosa. Quando visualizo as coisas com calma, percebo que não tem motivo. Eu sequer estive apaixonada. Apaixonada pelo quê? Eu nem te conheci.

Então, enquanto eu achava que estava assistindo eu me apaixonar por você, na verdade, eu estava me apaixonando por mim. Perdi o medo. Acho que até consegui ouvir aquele estalo de chicote que ecoa quando você encontra a pessoa que te liberta.

O filme fala ainda sobre perdão e devoção. Fiquei com a impressão de que você ficou esperando algum tipo de perdão da minha parte. Acho que para dormir com a cabeça tranquila, fingindo ser uma boa pessoa… Por outro lado, sei que você também não se daria ao trabalho. Isso nunca foi importante. Eu poderia ter dito as palavras, até pensei… Mas é que não dá. Estou ocupada demais tentando fazer isso por mim agora.

É um bom filme, você deveria assistir. E, por aqui, ainda penso em você. É melhor partir para a próxima tarefa.

TEM DIAS QUE EU FICO PENSANDO NA VIDA
02.11.2026

“Eu sei que os que nos amam sentirão a nossa falta.”

Essa foi a resposta que o Keanu Reeves deu em uma entrevista de 2019. A pergunta de Stephen Colbert em seu programa tinha sido o que ele achava que acontecia depois da nossa morte.
Eu não poderia ter pensado em uma resposta melhor. Onze anos desde que o meu pai morreu e, às vezes, parece que ele saiu pela porta pela última vez ontem. Não passa. Não melhora. Você convive com aquela falta e segue vivendo porque é o que tem pra fazer. A ausência não diminui, mas a vida continua acontecendo mesmo quando uma parte de nós parece ter ficado parada em algum lugar do passado.

Eu já perdi algumas pessoas na vida. Elas se foram em acidentes, doenças terríveis ou simplesmente decidiram que era a hora de ir. Recentemente uma pessoa muito querida se foi em um desses acidentes que deixam a gente sem reação. Em uma quinta-feira comum, você acorda, beija seus familiares, posta um story, almoça e se vai para sempre. Não é estranho?

Na voz do poeta:

Tem dias que eu fico
Pensando na vida
E sinceramente
Não vejo saída
Como é, por exemplo
Que dá pra entender
A gente mal nasce
Começa a morrer
Depois da chegada
Vem sempre a partida […]

Pensar na vida enquanto se morre porque morremos todos os dias. Morremos um pouco quando nos despedimos de alguém, quando uma versão de nós deixa de existir, quando percebemos que certas coisas nunca mais serão como antes. E, ainda assim, continuamos nascendo de novo, de alguma maneira, para os dias que nos restam. Talvez seja por isso que a morte dos outros nos faça pensar tanto na nossa própria vida. Não apenas no que acontece depois, mas no que estamos fazendo enquanto ainda estamos aqui.

Você morreria feliz no final das contas? Quem sentiria a sua falta?

Acho que é uma forma morbidamente boa de começar o dia: pensando na morte, lembrando da ausência e, principalmente, reconhecendo a sorte que é estar aqui. Talvez não saibamos o que acontece depois, mas sabemos que os que nos amam sentirão a nossa falta. E, enquanto ainda podemos, que a gente faça alguma coisa bonita com isso.

COISAS QUE QUERO FAZER EM NOVEMBRO
01.11.2026

Não costumo achar os meses infinitos, mas outubro meio que foi… Talvez eu estivesse ansiosa para alguns acontecimentos e quando eles não sairam conforme o esperado, desanimei. Contei os dias para o mês acabar, o que fez com que as coisas passassem mais devagar do que o comum. Mas acabou! Amo fechar a porta, passar a chave e começar tudo de novo com uma visão um pouco mais otimista das coisas. E é com esse sentimento de boa vontade que eu escrevo esse post.

LEITURAS

INTERMEZZO
Só preciso finalizar, falta 50 páginas. Foi a leitura do clube do livro desse mês e eu que escolhi kkk. Em minha defesa, com o período eleitoral e tudo mais, as coisas ficaram complicadas.
Nessa história conhecemos dois irmãos que estão sofrendo, cada um a sua forma, com a morte do pai.

QUERIDA KONBINI
Também é de um clube do livro. Essa é a minha próxima leitura porque o encontro já é no próximo sábado, 7.
Keiko é uma mulher de 36 anos que desde a juventude trabalha em uma lojinha de conveniência e traz uma reflexão sobre como estamos acostumados com um “normal” que é imposto pela sociedade.

O MASSACRE DA FAMILIA HOPE
Preciso me dedicar a essa leitura também porque o tempo de leitura pra ela é bem curto e o próximo encontro do clube do livro já é dia 20.
Nesse suspense uma cuidadora cuida da principal suspeita de ter assassinado toda a sua família.

A INTERPRETAÇÃO DO SONHO
Esse é estudo e eu estou enrolando bastante, mas espero terminar pelo menos o capítulo 5 esse mês.

COMO LER LITERATURA
Esse também é estudo. Estou lendo com calma sem muita pretensão de terminar.

PROJETOS

PALESTRA SOBRE COMUNICAÇÃO E IMAGEM
Fui convidada para dar uma palestra em uma faculdade particular, então nessa primeira semana preciso me dedicar a montar tudo e fazer os slides. Estou muito empolgada e grata pela oportunidade.

30 DIAS SEM INSTA & SEM FARRA
Essas foram as minhas promessas para o presidente Lula ganhar, mas também uma forma que eu encontrei de voltar pra mim. Sinto que passo muito tempo no instagram ou sofrendo com as consequências de uma noitada em vez de estar fazendo mais as coisas que eu gosto. Então durante novembro, estarei mais presente aqui, na minha escrita, com os meus amigos, minha família e os meus planos.

ESCRITA

NaNoWriMo
Estamos no mês nacional de escrita de romances, então eu quero escrever por, pelo menos, uma hora TODOS OS DIAS.

COMPRAS

Preciso focar no meu autocuidado. Esse mês eu estou de olho em CREMES DE CABELO porque quero fazer cronograma capilar. Na verdade eu queria mesmo era meter o louco kkkk, mas vamos por partes. Também estou precisando de uma rotina de skincare que está precária, mas ainda não sei bem no que irei investir

ROUPAS

Estou mudando de estilo e por isso sendo muito cautelosa com as minhas compras. Pra não dizer que não estou namorando nada, aqui estão as duas camisetas dos sonhos:

OUTROS

VOLTAR PRA TERAPIA

Pausei a análise, mas é o que eu quero e preciso priorizar. A mente do palhaço está palhaçando horrores. Essa é a parte da mente. Na parte do corpo é voltar pra academia. Duas grandes prioridades.

É isso, acho que uma coisa que eu nunca posso esquecer é que eu preciso me cuidar todos os dias. A saúde do meu físico, da minha mente, do meu coração e do meu dinheiro é como eu reconheço que tudo o que eu tenho é merecido <3 e eu só mereço coisas boas.

EU ME ENTREGO TODA VEZ
30.10.2026

Em uma entrevista recente, Fernanda Montenegro, aos 96 anos diz: “Chega uma hora na vida que a gente não tem mais futuro, tem só o presente.” Isso nunca mais saiu da minha cabeça. Eu sempre pensei na vida como um grandíssimo hoje. Nunca passei vontade, tudo o que eu quero, eu faço. Chamo ficante de amor e me despeço com um drama de quem viveu uma vida juntos e não um mês porque, pra mim, realmente foi uma vida, sei lá se morro amanhã.

Em Como Perder Um Homem Em 10 Dias, tudo começa depois que a melhor amiga de Andie, Michelle, chora depois de mais uma desilusão amorosa. No consolo, Andie diz: “Vai ficar tudo bem, só ficou com ele uma semana.” Ao que Michelle responde: “foi a melhor semana da minha vida”.

Eu consigo entender a diva, sou uma pessoa que gosta de sentir intensamente. Na maioria das vezes, isso pouco tem a ver com o outro. A minha linha de raciocínio sempre é: eu gosto de me sentir querida, logo, o outro também gosta e é isso que vou fazer. Michelle não entende porquê as coisas não dão certo e depois segue um monólogo de todas as coisas sufocantes que ela faz seguido de uma conclusão absurda: é porque eu sou gorda.

JÁ ME SEGUE NO INSTA?

A culpa nunca é do outro. A gente se entrega toda vez e quando não dá certo, é claro que a culpa é toda nossa e nunca da pessoa oposta, sequer dividimos a responsabilidade do peso. Transamos casualmente e no, dia seguinte, nos sentimos putas baratas. Esquecemos que somos mulheres bem resolvidas, explorando a nossa sexualidade e a liberdade sexual. Esquecemos que relações são moedas de troca: se você tá dando é porque tem alguém comendo. Em nenhum momento, você faz juízo de valor dessa pessoa. Seja mais carinhosa com você mesma.

Eu me entrego toda vez e só me fodo. É o que eu mais ouço. Será? Você se entrega toda vez e vive tudo o que tem pra ser vívido. Explora novas possibilidades. Descobre mais coisas. Conhece mais gente. Repete. Elabora e uma hora dá certo. Descentralize o amor romântico, se te faz tão mal, pega toda essa vontade de viver e joga para outras coisas, juro pra você que vale a pena!

Mas, se você quer mesmo morrer de amor, aqui vai algo pra acalmar o seu coração: a Michelle fica com o cara no final.

ARRUMEI O QUARTO
29.10.2026

— O que você está fazendo? — você perguntava já perto da meia noite.
— Eu não sei como uma pessoa tão detalhista consegue ser tão bagunceira — respondo rodeada pelos meus objetos. — Estou arrumando o meu quarto.
— Você sempre está fazendo algo assim tarde da noite.
— Eu gosto do silêncio.
— Eu também. Agora consigo imaginar nós dois em silêncio juntos e eu gosto dessa imagem.

Lembrei disso e me pus a arrumar o meu quarto. Esse é o primeiro episódio da série coisas que eu faço para te esquecer.

Meu quarto é onde eu me sinto mais eu. Amo estar rodeada pelos meus objetos, tenho orgulho deles. Tudo o que é meu tem a minha cara, o meu jeito, a minha letra, o meu cheiro, tem eu. Mas, às vezes, o acúmulo de tanto de mim me sufoca e me golpeia. Pelo menos uma vez no ano, eu tenho vontade de pegar tudo e colocar nunca grande fogueira.
Você também se sente assim às vezes?

Começo pela mesa, era um sonho, sabia? Ter uma mesa onde eu pudesse fazer o que eu faço agora: escrever. Sempre achei chique ser uma mulher que fala sobre sentimentos, que escreve coisas que inspiram os outros, uma espécie de Carrie Bradshaw do cerrado. Quem é Carrie você deve se perguntar. É uma mulher maluquinha que sofre na mão de um cara em Sex and the City. Parece familiar? Fato é que eu nunca tive tanta coragem assim.

TUDO COMEÇOU ASSIM.

A mesa vive cheia de mim: livros, música, pinturas, roupas sujas, copo cheios de água, xícaras com café seco no fundo, embalagens de chocolates e centenas de papéis amassados. Agora está limpa de tudo, inclusive de mim. No quadro em frente, arranquei as fotos para colocar as minhas metas de aniversário e ficou um vazio estranho.

Voltei algumas fotos e agora rostos doces e cheios de sorriso me vigiam enquanto eu durmo. Às vezes, minto que são as pessoas que eu desejo e quando as consigo faço um grande X vermelho nelas. Acho que preciso parar de assistir séries criminais. São trinta e quatro metas, seis estão cumpridas e nenhuma delas é fazer parte do broken hearts club. Uma pena, essa tava bem previsível, mas pra ser sincera quando pensei nessa lista, a gente mal se conhecia.

Para onde vamos? Ah, a minha mesinha de cabeceira, eu ia escrevendo criado-mudo, mas você acredita que muita gente ainda acha que esse termo é racista? Não é, pelo menos não tem provas históricas de que seja. Na mesinha, eu coloco um dispersor de óleo essencial. Uma vez, comprei um óleo de cedro de atlas e esqueci para que servia. Voltei a pesquisar e veio muito a calhar.

PRA FICAR MAIS EMOCIONANTE, OUÇA ESSA MÚSICA.

É bom para aterrar, traz de volta a serenidade e o foco e ajuda a aliviar o stress (eu tava preocupada com a conta de energia), a ansiedade (estava doida pra ter ver uma última vez) e o esgotamento mental (de ter sido enganada embaixo do meu nariz) e olha realmente funciona. Tudo isso passou. Qual era aquele incenso que tu usava mesmo?

Nessa mesinha ainda estão os azulejos que eu pintei e que tenho procrastinado para finalizar. Minha mãe quase não acredita que eu mesma pintei e eu meio que fiquei bem orgulhosa. Tem também uma vela perfumada que eu ganhei de Natal, o que me faz lembrar aquela nossa vela de massagem, ela era muito boa, né? Entendo você ter jogado fora, estava quebrada como nós e se chamava Restos de Carnaval. Acho que era mesmo pra ser.

Podemos ir para a cama? Sempre foi a minha parte favorita. Preciso trocar o colchão e os travesseiros, suspeito que seja por isso que as minhas costas doem tanto. Ela é de ferro, meu pai fez. Você sabe o quanto eu amo falar dele, então vou só seguir em frente. A cama é imensa e eu demorei a me acostumar. Depois do divórcio, dormia encolhidinha no canto com um fantasma me abraçando. Eu sei que você se sente assim também, pela forma como quase entrava em mim (e as vezes entrava mesmo) quando compartilhávamos uma conchinha confortável pra ti, pesada pra mim.

JÁ ME SEGUE NO INSTA?

Eu nunca dormi quando estava contigo. No fundo, eu sentia que você me trairia se eu fechasse os olhos. A cama é uma bagunça. Muito parecida com a mesa: roupas, livros, papelaria e eu lutamos por um espaço. Por isso nunca te chamei, você não caberia. É a minha vida inteira. Você não cabe.

Estou ficando cansada. Está tarde, você sabe, mas ainda tem a estante e o guarda-roupas. Sempre fico em dúvida sobre qual vai ser o primeiro. As roupas já não me pertencem. Estão largas ou apertadas já não gosto das cores, meu gosto mudou, meu corpo também e você amava me lembrar disso quando suas mãos viajavam por ele. Era tudo mentira? Dobro tudo de qualquer jeito, o espaço é pequeno, tirei três sacolas para a doação e queria mesmo ficar pelada, feito bicho, sem precisar de tudo isso. São apenas mais coisas para serem decididas. As gavetas deixo pra lá. Minhas calcinhas estão todas manchadas de você.

A estante de livros. Você me perguntou o que eu lia e eu respondi: apenas bobagens em sua maioria. É que eu não queria te constranger com o tamanho do meu cérebro. Tenho o sonho de me livrar dos livros, eu gosto deles mas estão cheias de marcas do tempo e isso não me apetece, me faz lembrar de mim, o que faz me lembrar de ti e isso é péssimo. Termino tudo, recolho o lixo e na hora de passar o pano, decido: jogar água deixa tudo mais limpo.

Ainda penso em você. É melhor partir para a próxima tarefa.

401 HORAS
26.10.2026

Não sabia como falar, por isso pesquisei no Google quantas horas levam pra eu ir até você. 401 horas a pé, sem interrupções. 16 dias e 19 horas. Calcei o tênis e me pus a caminhar pelas ruas do street view descobrindo ideias que poderiam ser conversas entre nós.

Lembrei que estava sem óculos quando te vi pela primeira vez. Eu tinha tirado rapidamente para ler uma mensagem porque enxergo melhor sem eles quando o objeto está próximo. Como se, de alguma forma, eu sentisse a sua presença, levantei o rosto e vi aquele vulto que era tu, que deixava o cabelo escapar por baixo do boné. Um estranho logo reconhece o outro e eu te reconheci assim: um alguém, em situação caótica, indo ou voltando de algum lugar. O vulto era bonito porque você é bonito e não se precisa de óculos para enxergar certas coisas…

Eu fiquei te olhando e depois de algumas perguntas descobri que você, todo lindo, não estava indo. Agradeci a Deus por aquele borrão estar chegando. Uma coisa chata é a gente nunca mais ter conseguido sair. Eu queria ter saído e ter chegado antes de você, chegaria mais cedo só pra te ver chegando porque acho que não tem nada mais bonito do que um menino cacheado.

Um dia você acorda e tudo está diferente. Leia aqui.

Eu te faço muitas perguntas só pra ouvir a sua voz, que é bonita demais e eu gosto de olhar pra você enquanto você fala com a tua voz bonita e seus dentinhos separados e lindos e quando tu sorri, o lábio não some (!!!). Você tenta arrumar o cabelo quando é impossível.Você gosta de música e fala delas pra mim. Juntos, antes de irmos embora um do outro, tomamos 0 cafés, mas tomamos 5 cervejas, comemos bombons de caramelo salgado e dividimos um pacote de amendoins.

Quando você me olhava nos olhos, quando você sorria das coisas que eu dizia e quando você sorria de aprovação quando me ensinava alguma coisa (e eu entendia!!!) era como se fosse um troféu. Eu sentia uma ternura tão grande, uma vontade de sei lá o quê. Como é o nome disso?

Sabia que eu já li o meu livro favorito mais de cinco vezes? Isso diz muito sobre mim: eu gosto muito das coisas que eu gosto. Uma vez eu estava te stalkeando, abri um foto e quando voltei, você tinha postado um story. Resisti à tentação de ver, mas gostei de saber que estávamos online juntos. É bom acompanhar você existindo. Toda atualização que não é sua, é perda de tempo e toda mensagem que não chega, eu sei que é você.

Perdoa o meu jeito. Cheguei. Andei 1.763 quilômetros até aqui. Vou acender um cigarro, fingir que a minha boca é a sua. Me arrumar. Quero ficar bonita. Não quero que você pense que estou desesperada.

COMEMORANDO ANIVERSÁRIO
22.09.2026

Fiz 34 anos no último dia 25 e essa é a primeira vez que eu me sinto diferente desde 2019. O ano que o grande acontecimento, também conhecido como divórcio, me tirou do eixo. Eu que AMO criticar o famoso nicho superação de macho na internet, posso dizer que, infelizmente, o babado é real. Nos últimos 6/7 anos eu quase enlouqueci. De repente não gostava mais das mesmas coisas e ai virou aquele loop de tentar me reconectar, voltar a gostar, esforço atrás de esforço, pra no jornada infrutífera e cruel.

Eu lia o tempo todo sobre fechamento de ciclos, mudanças, se deixar levar, mas ninguém respondia a coisa mais importante: COMO? Como fazer isso? Como seguir em frente? E eu também não tenho essa resposta porque ela não segue um tutorial, um dia você acorda e simplesmente está diferente. “Ah, mas isso é resultado das coisas que você foi vivendo até chegar aqui” Claro, pode até ser, mas eu não enxergo isso com clareza.

ANO PASSADO FOI ASSIM.

Fato é que eu me sinto diferente. Mas diferente como? Mais leve. De verdade, parece que uma página virou e eu simplesmente me sinto um pouco mais madura e também um pouco mais velha. Meus primeiros fios brancos apareceram e o colágeno me abandonou, botox agora é uma opção, estou malhando não mais pra ficar gostosa, mas pra ter força, meu gosto literário mudou. Já não supervalorizo qualquer coisa e uma calma toma meu corpo toda vez que tenho coragem.

Na minha lista dos 34 estava lá: comemorar o meu aniversário. Eu queria fazer uma festinha mesmo, tipo a de 2024, mas uma coisa aconteceu e nem bolo teve (acho que é a primeira vez que isso acontece!). Foi por um bom motivo que venho contar depois hihihi. Mas não deixei de celebrar, tomei 34 cervejas, beijei um menino bonito e vi meus amigos <3

No dia, eu acordei cedinho, fiz minha caminhada na natureza, doei sangue, fui à praia e fiquei no meio das pessoas que me amam. E que vem os próximos 365 dias.

LUMA NUNES NA VOZ
13.07.2026

Eu constantemente sinto a necessidade de me apresentar. Acho que é porque eu sempre estou pronta para recomeçar e considero que dizer quem eu sou um ótimo pontapé, além de ser uma forma de dizer pro mundo que eu estou fazendo coisas novas.
Aqui vai mais uma apresentação que eu só vou reler daqui um ano em prol de escrever outra. Sinto que esse é o momento perfeito porque chegou aquela época do ano em que eu tenho que tomar A MAIOR DECISÃO DA MINHA VIDA: renovar o blog (o domínio tá custando 80 reais!!!).

Oi, eu sou a Luma! Eu sou jornalista?

Dizem que pega mal a gente começar uma apresentação falando de profissão, mas eu acho que nada diz mais sobre você do que a profissão que você escolheu, o porquê você ama ou odeia, o que você queria ser, mas não é, etc. Dito isso, eu sou jornalista.

Meu primeiro ofício foi ser professora. Apesar de gostar, eu acho que exige muita saúde física e mental e que a remuneração é uma grande merda… Atualmente eu faço uma pós graduação em psicanálise e me peguei pensando que talvez eu dê aulas sobre e faz sentido porque eu verdadeiramente gosto das suas coisas.

Durante a pandemia, eu explorei algumas coisas: aprender ukulele — nota 0, estudar UX/UI — legal, mas ainda não era isso. Então chegamos ao meu grande sonho, o que eu realmente amo e queria para a minha vida: ser escritora.

Mas e os seus hobby e curiosidades sobre euzinha?

Eu gosto de cozinhar, mas não é qualquer coisa. Eu amo experimentar receitas, fazer novas combinações e experimentar. Sou muito craque no kibe, gosto muito de condimentos e atualmente estou ficando mais tranquila pra comer vegetais que sempre foi uma dificuldade.

Sou MUITO bagunceira. Muito. E sim, isso me incomoda, mas também não gosto que ninguém mexa nas minhas coisas.

Eu adoro sair de dia, principalmente pra barzinhos, etc.

Gosto muito de filmes e livros, mas agora sinto que estou muito viciada em celular.

Esse ano, eu decidi que seria um ano diferente, mas só agora estou fazendo um esforço sincero pra isso acontecer.

E você, quer participar da minha jornada?

METAS RECAP
11.06.2026

Tinha começado esse texto falando sobre rigidez cognitiva que é quando existe uma dificuldade em adaptar pensamentos, comportamentos ou crenças diante de novas situações, regras ou imprevistos.

Um dia eu acordei e não fui treinar, então nunca mais fui. As aulas avançaram e eu não conclui uma leitura, então parei de ler. A grana foi ficando curta, parei de sonhar. Não conseguia escrever todos os dias, nunca mais escrevi e por ai vai.

Tava tudo pronto pra postar, mas fui conversar com os meus amigos e estamos todos esgotados. Esgotados com as escolhas de carreira, esgotados com as novas possibilidades, esgotados de mudanças, esgotados na mesmice.

Pode ser a tal rigidez cognitiva, mas também pode ser o esgotamento e o cansaço de não ter tempo para fazermos o que queremos confortavelmente. Sem abrir mão das horas de sono, do horário de almoço ou ter que deixar de ganhar dinheiro.

Esse ano eu demorei a saber quais seriam as minhas metas. Quando descobri, comecei a compartilhar com vocês os meus avanços. Tava empolgada, mas de repente, cansaço. Deixei de fazer uma coisa na segunda, outra na quarta e quando vi, não estava fazendo mais nada.

O que eu quero com esse texto, é te falar que tudo bem não dar conta de tudo todos os dias, que você até pode mudar de ideia e não querer mais fazer as coisas, mas não desista tão fácil!

Eu sentei, vi minhas metas e resolvi que não vou desistir delas. Então, vamos pra segunda tentativa, dessa vez tentando ser um pouco mais carinhosa com o processo.

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E 2026, HEM?
14.01.2026

E 2026, hem? Como boa virginiana, eu sempre esperei o dia primeiro de janeiro com muita ansiedade: muitas metas, planos e listas. Coisas que não sobrevivem até dezembro com muito entusiasmo. Esse ano, porém, senti uma pontada diferente, não um brilho ou o tipo de esperança que se espalhava pelo meu corpo, mas uma angústia cansativa que me fez pesquisar no Google: sinais de burnout. Mas não era.

Tem cinco anos que eu tento me reencontrar e quanto mais eu tento, mais perdida eu fico. Só que finalmente as coisas estão começando a fazer sentido, inclusive esse cansaço. Acho que estou começando a fazer as pazes comigo mesma. Não como quem tenta abraçar o passado, mas como uma pessoa pronta pra viver o dia de amanhã.

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TRUE CRIME, TRUE VÍCIO?
12.11.2025

Antes de tudo, um aviso sincero: esse texto não julga quem consome true crime. Eu consumo. Bastante até. Justamente por isso, senti vontade de trazer esse assunto aqui porque se a gente vai consumir, vamos pelo menos refletir sobre o que isso significa.

De documentários a podcasts investigativos, o fascínio por histórias reais de crimes hediondos levou o true crime a virar um dos gêneros de entretenimento mais consumidos nos últimos anos. O problema é que junto com essa popularização veio algo delicado: a transformação de histórias traumáticas reais em produto cultural.

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REESCREVENDO MEU LIVRO
05.11.2025

Estou reescrevendo o meu livro e quero compartilhar o processo com vocês. Primeiramente, lancei o Mais Brilhante Que O Sol em 2013. Foi o meu primeiro livro, paguei uma editora, tem alguns impressos por ai, mas não é um livro que eu amo. Na verdade, é algo que sempre me traumatizou um pouco, então agora estou fazendo uma segunda edição, melhorando apenas o que foi escrito sem mudar a essência da história. Esse é um processo que eu já tentei fazer um milhão de vezes, mas sempre acabava mudando demais a história e me frustrando, dessa vez eu estou conseguindo bem.

Autografando meu livro para o meu pai em 2013 <3

Sinopse

Helena é uma jovem que saiu muito cedo da casa do pais, que moravam no interior, em busca de novos horizontes. Inteligente e sonhadora, tendo em seu passado desilusões amorosas, vê sua vida mudar ao ter a chance de ir para Nova York com sua melhor amiga e se reinventar. Em Nova York, quando sai para procurar emprego um labrador se solta da coleira e brincando a derruba, ela não acredita que a sorte tenha batido na sua porta ao se deparar com George, o dono do cão, um ator americano no qual ela nutre uma paixão platônica. Um romance avassalador sobre julgamento, confiança e amizade.

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@lumiconunes