SUICIDAS – RAPHAEL MONTES
24.05.2022

Suicidas – Um porão, nove jovens e uma Magnum 608. O que poderia ter levado universitários da elite carioca – e aparentemente sem problemas – a participarem de uma roleta-russa?

Um ano após encontrarem os corpos de Alessandro, Zak, Ritinha, Lucas, Maria João, Dan, Waléria, Noel e Otto em um estado lamentável, as mães dos nove jovens se reúnem na delegacia para ouvirem os esclarecimentos sobre o fatídico dia. Nessa reunião são lidas as páginas do diário de Alessandro, que narra com exatidão desde o momento em que eles planejaram o ‘jogo’ até a hora da morte de cada um.

O livro é dividido em três partes: o antes, o durante e o depois da roleta-russa; e essas partes são intercaladas em capítulos.

“Hoje é a primeira vez que pisaremos em Cyrille’s House sem a presença dos nossos pais. Também não poderia ser diferente. Não estamos indo para brincar no balanço ou nadar na piscina enquanto nossas mães conversam sobre a última moda em Paris. Desta vez, iremos por algo muito mais sério. Nós decidimos nos matar.”

ANTES

Os eventos que antecedem as mortes são narrados no diário de Alessandro e foca principalmente na relação que ele tinha com Zak, mas também conhecemos os segredos, vergonhas e motivações dos outros suicidas.
Confesso que fiquei meio perdida porque são nove personagens e muitos acontecimentos que os conecta, mas o autor acaba fazendo um bom trabalho de resumo sem ser repetitivo.

“Nunca fui bom em travar diálogos, nunca soube fingir interesse por assuntos alheios. Nunca acreditei na eficiência das palavras. Como escritor, brinquei com elas por tempo suficiente para perceber que não dizem nada, podem ser forjadas, como a embalagem bonita de um bombom envenenado.”

DURANTE

O grande sonho do Alessandro é ser escritor, por isso ele decide, com consentimento de todos, escrever em tempo real o que acontece no porão para que seja um livro póstumo. Essa é a parte mais violenta e gráfica da história, o clima de tensão e angústia tomam conta da leitura.
Meu estômago embrulhou várias vezes e em alguns momentos consegui até sentir o cheiro da cena.

“Estou no meu direito de louca sádica. E a louca sádica quer escutar o próximo capítulo.”

DEPOIS

Essa parte é a transcrição do áudio gravado com as mães dos suicidas na delegacia um ano após o ocorrido. Apesar de ter gostado da forma como foi escrito, tipo um roteiro, fiquei bem confusa porque além de ter que lembrar quem era quem, ainda tinha que saber quem era a mãe de quem e pensa num povo CHATO. Achei essa parte muito fantasiosa e esquisita.

O QUE EU ACHEI

Suicidas é o romance policial de estreia do Raphael Montes. O escritor disse em entrevista que começou escrevê-lo aos 16 anos, o que me deixa ainda mais impressionada. Para ler precisa ter estômago forte e cabeça no lugar. Foi uma experiência diferente de tudo o que já tinha lido.
Eu achei a leitura pesada e hipnotizante na mesma medida, foi até estranho não conseguir desgrudar os olhos de tanta barbárie.

Raphael tem a escrita muito envolvente, várias vezes me senti dentro do porão e até conseguia sentir o cheiro da cena. Os personagens são muito intensos e até perigosos, mas acho que faltou uma pitadinha de sensibilidade para que a gente goste deles.

Sobretudo, achei Suicidas corajoso, até mesmo pelo título, pouca gente teria coragem de falar sobre tantos assuntos tabus de maneira tão agressiva.
O final foi uma das melhores coisas que li nos últimos anos. Reforço que é um livro muitíssimo pesado, mas vale muito a pena por ser MUITO diferente de qualquer coisa que você já tenha lido.

A história ainda captou com muita verdade a realidade de ser um escritor nacional iniciante, gostei bastante dos diálogos e  fiquei realmente impressionada com a narração, por isso, imagino que ele tenha sido um longo período de pesquisas para descrever tudo com detalhes tão verídicos.

2 comentários

  • […] dia seguinte, corri e comprei Suicidas, seu primeiro romance, escrito quando ele tinha entre 16 e 19 anos (então, né gente?) e que […]

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