Conversei com Alice Agnes, co-fundadora do Aplicativo MIGA. A iniciativa foi uma das 100 startups selecionadas pelo Sebrae como destaque no Startup Summit 2025, que aconteceu em agosto passado em Florianópolis.
Alice Agnes é jornalista e doutora em antropologia. Ela se dedica à pauta do autocuidado desde 2018 e se apaixonou por esse projeto que une tecnologia e bem-estar feminino. Ao lado de sua sócia, a psicóloga Hareli Cecchin, Alice transformou uma ideia em realidade: criou uma ferramenta acessível, prática e acolhedora para ajudar mulheres a cuidarem de si mesmas com mais informação e apoio.
Nesta entrevista, Alice fala sobre o processo de criação do aplicativo, os desafios e aprendizados dessa jornada empreendedora, os diferenciais do Miga e o impacto que espera causar na vida das usuárias. Também abri espaço para conversarmos sobre futuro, sonhos e inspirações para outras mulheres que desejam empreender.
Prepare-se para conhecer mais sobre essa iniciativa inovadora que promete marcar presença no universo da saúde e bem-estar feminino.
Como nasceu a ideia do Miga?
Desde 2018 realizo pesquisas na área da Comunicação em Saúde Mental e neste processo percebi que as mulheres são o grupo mais afetado pelo sofrimento psíquico e sobrecarga. Elas cuidam de todo mundo e se deixam em segundo plano. Resolvi então, juntamente com minha parceira de pesquisa e sócia, a psicóloga Dra. Hareli Cecchin, buscar soluções práticas que pudessem ajudar a melhorar este cenário.
Qual foi o momento em que você percebeu que precisava criar esse aplicativo?
Nas minhas pesquisas percebi que o maior desafio das mulheres não é reconhecer a importância do autocuidado, mas sim se dar prioridade. Nosso aplicativo permite que as mulheres pensem o Autocuidado com flexibilidade de tempo e sem barreiras geográficas. Se uma mulher no interior do Tocantins não tem tempo ou meios para acessar uma psicoterapia em horário comercial por exemplo, com o nosso app ela pode marcar um horário online a preço social para depois do horário em que suas crianças dormiram. Talvez outra mulher não consiga agendar uma consulta com uma advogada para entender que está sofrendo violência patrimonial durante o divórcio, mas com o podcast ela pode ter informações úteis e válidas sobre o assunto enquanto dirige seu carro ou cada de alguns afazeres.
Quais foram os maiores desafios durante o processo de criação do Miga?
A parte mais desafiadora é transformar conteúdo científico em algo que dialogue de forma simples e clara com o cotidiano da mulher moderna.
Como foi a experiência de transformar a ideia em algo concreto, um app de fato?
A experiência toda foi muito desafiadora, mas graças à nossa equipe multiprofissional (com profissionais da medicina, enfermagem, design, psicologia, comunicação e computação) conseguimos propor um conceito simples e leve ao final.
O que você aprendeu nesse caminho que gostaria de compartilhar com outras empreendedoras?
Nosso app fala muito sobre a sobrecarga feminina, e percebi nessa jornada que a mulher empreendedora é, quase sempre, uma acumuladora de funções, o que torna o empreendedorismo feminino ainda mais difícil. Felizmente descobri também que a sororidade e o apoio são muito forte neste contexto. Tive mulheres torcendo por mim, compartilhando contatos e abrindo as portas nessa trajetória. Eu diria a outras empreendedoras que vale a pena investir em conexões e redes de apoio, especialmente com outras mulheres.
O que torna o aplicativo diferente de outras opções já disponíveis no mercado?
O nosso app apresenta ferramentas e conexões para que as mulheres descubram o prazer e a importância do autocuidado. Ele traz às usuárias um lembrete diário do quanto elas são especiais e do quanto são dignas de serem prioridade nas próprias vidas. Acima de tudo ele é feito com informações científicas de qualidade e não tem como principal objetivo o lucro, mas sim promover o bem-estar e o bem-viver feminino.
Qual impacto você espera gerar na vida das usuárias?
A maior expectativa é cuidar para evitar o adoecimento, acreditamos que a prevenção é um caminho melhor que a cura.
Quais são os próximos passos para o Miga?
Queremos em breve oferecer novas funções, como um calendário menstrual e talvez até alguns recursos premium de meditação, orientação e conteúdos específicos.
O que mais te motiva nesse projeto?
Minha maior motivação é saber que, se este projeto fizer a diferença na vida de apenas uma mulher, ele terá feito toda a diferença.
Qual conselho você daria para outras mulheres que querem empreender na área de tecnologia e saúde?
Não desistam. O ambiente é hostil e desafiador para mulheres, mas isso só serve para provar a importância de desbravarmos este espaço e conquistarmos um lugar seguro para outras.




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