Eu li Talvez Um Dia pela primeira vez em 2016 e agora reli porque estou lendo todos os livros da minha estante para saber se vou manter ou passar pra frente. Foi muito bom reler, ver a minha resenha daquela época e perceber como as coisas mudaram e como os meus pensamentos amadureceram, mas e ai: será que essa história vai continuar morando na minha estante?
Sydney mora com o namorado e a melhor amiga e todo dia observa o vizinho da frente tocar violão na varanda. Como ela é estudante de música, ela escreve as letras que imagina para as melodias que ele toca. Eu amei essa ideia: duas pessoas se conectando por meio da música antes mesmo de se conhecerem de verdade.
O problema começa no aniversário de 22 anos de Sydney. O tal vizinho resolve revelar que o namorado e a melhor amiga estão tendo um caso. Desse ponto em diante, o livro toma uma direção curiosa: Arrasada e sem ter pra onde ir, Sydney vai morar com o vizinho que divide apartamento com o melhor amigo viciado em pornô e uma garçonete sem noção.
As novidades não acabam por ai: Syd descobre que o vizinho se chama Ridge e que ele é surdo.
Ali, entre composições e desabafos sobre a dor de ser traída, os dois desenvolvem uma sintonia que inevitavelmente vira outra coisa. O problema é que Ridge namora, mas não é só que ele namora. Ele namora Maggie, a garota mais linda, legal e querida do universo (na minha opinião, ela é a personagem mais bem construída do livro todo). Enfim, mesmo assim um beijo acontece. É isso. Depois de páginas e páginas amaldiçoando traidores, os protagonistas vão lá e… traem. A história se desenrola entre momentos moralmente questionáveis e muita culpa.
Ai você se pergunta: então, por que diaxo esse cabra não termina?
Por que ele é homem, né? kkk brincadeira.
A Maggie é uma mulher bem misteriosa e tem uma história que deixa Ridge MUITO resistente ao término. Na cabeça do querido, ele a ama demais e por mais que tenha sentimentos pela Syd, eles, no máximo, se igualam aos que ele sente pela Maggie.
A Sidney é uma SONSA. Não adianta, não consegui sentir empatia por eles porque, honestamente, tem hora que beijar é o de menos. Então, o que salva Talvez Um Dia é o que salva quase todo Hoover: a leitura é compulsiva. Você quer saber até onde vai aquilo tudo, mesmo quando está com raiva dos personagens. E tem um mérito real na decisão de fazer Ridge surdo: a surdez não é usada como ornamento, ela muda genuinamente a dinâmica da comunicação entre eles e as cenas de composição colaborativa têm uma intimidade que funciona. Mas vou ser honesta: quando Ridge começa a falar de uma hora pra outra, alguma coisa quebrou em mim. Pareceu uma concessão desnecessária, como se o livro tivesse desconfiado da própria escolha narrativa no final.
CITAÇÕES
— Você consegue ler lábios?
— Depende dos lábios.
Às vezes na vida, precisamos de alguns dias ruins, para manter os bons em perspectiva.
Por ela eu me curvo, por você eu quebro.
Não fiz nada nos últimos cinco anos além de tentar ser o herói que a protege. O problema? Heroínas não precisam de proteção.
SINOPSE
Sydney acabou de completar 22 anos e já fez algo inédito em sua vida: socou a cara da ex-melhor amiga. Até hoje, ela não podia reclamar da vida. Um namorado atencioso, uma melhor amiga com quem dividia o apartamento… Tudo bem, até Sydney descobrir que as duas pessoas em quem mais confiava se pegavam quando ela não estava por perto. Até que foi um soco merecido.
Sydney encontra abrigo na casa de Ridge, um músico cujo talento ela vinha admirando há um tempo. Juntos, os dois descobrem um entrosamento fora do comum para compor e uma atração que só cresce com o tempo. O problema é que Ridge tem uma namorada, e a última coisa que Sydney precisa agora é se transformar numa traidora.
TALVEZ UM DIA
Início da leitura: 28 de maio de 2026
Término da leitura: 31 de maio de 2026
Autor: Collen Hoover
Título original: Maybe Someday
Editora: Galera
Ano: 2016
Número de páginas: 368
Gênero: Ficção Romântica

