RIO DE JANEIRO
27.04.2021

Rio de Janeiro, abril de 2019

1 DIA

We had everything we need that day:
you, me, a nice view and blue flowers…
I prayed tonight, I just wanted to stay locked in time.

Em 2019, eu viajei para o Rio de Janeiro. Achei que essa viagem me salvaria, mas era o início de um naufrágio.
Quando cheguei, o dia estava lindo, mas o hotel não estava pronto. Para minha sorte, uma feira acontecia ali na rua. Nunca vi nada parecido: peixes, frutas, o melhor pastel de queijo que já comi na vida e uma banquinha que vendia flores azuis.

Não quis perder tempo, fui para a praia e foi exatamente como a música do Baco Exu do Blues: o sol ilumina o meu dia, mas queima a minha pele… No final do dia estava exausta e satisfeita, beijada pela areia, pelo sol e pelo sal, estava relaxada. A decisão de viajar foi a melhor ideia que poderia ter tido, marcava o início de uma nova era: novo emprego, uma oportunidade de recomeçar, de tentar do zero, eu me sentia capaz de tudo, estava em lua de mel.

Lembro de falar sobre como amava a vista da janela do quarto que dava para um prédio cinza, cheio de janelas. Não era uma visão de tirar o fôlego, mas tinha certa poesia…
Me lembrou a história do prédio que desabou em 2002 no Rio de Janeiro, dias depois encontram nos escombros, os corpos de um casal abraçados nus em uma cama. Eles viviam um amor secreto… Essa história inspirou a música Conversa de Botas Batidas.

Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar…

2 DIA

Eu queria aproveitar a praia ao máximo.
No segundo dia, acordei cedo, assisti Família Dinossauro, tomei um belíssimo café da manhã e parti para o Leme.
O dia perfeito: eu, cervejinha, biscoito globo e um livro… A verdade é que ficar pegando sol pode ser entediante, então o livro pareceu uma boa ideia.
O som do mar, as ondas cada vez mais fortes e convidativas, os corpos lindos, dourados e firmes… Eu estava em paz.

A água me chamava, chamou tanto que quando atendi, tomei um caldo com direito a calcinha de biquíni boiando por ali… Quando voltei, mais composta e desconfiada, a água tinha levado minha cadeira e o livro que desenterrei da areia e de uns bons centímetros de água…

Suja de areia, sal e suor, achei que seria uma ótima ideia ir ao shopping. Qual é? Era o Rio de Janeiro… O shopping parecia ter saído de uma novela do Manoel Carlos, logo fui flagrada como turista novamente, mas fiz muitas comprinhas, achei até um livro meio difícil de encontrar, valeu a pena.

3 DIA

O terceiro dia seria dedicado em parte para a cidade e depois iria para a praia da Barra, não gostei muito do centro, mas visitei a exposição da DreamWorks, caramba! Quanta coisa legal! Fiquei hipnotizada pelos processos de criação.
Vi também os Arcos da Lapa e a escadaria Selarón.

Estava ansiosa para voltar para os braços do mar… Mas a água tinha outros planos, ela veio de todas as direções, um temporal. Consegui chegar no hotel a tempo de ver na TV que o lugar em que eu estava minutos antes, na Tijuca, estava ilhado, completamente tomado pela água e que uma pessoa morreu no meio da tempestade.
E assim a viagem seguiu: ilhada no hotel. Era calamidade pública, a cidade parou, não tinha loja, não tinha nada… Só água e solidão.

ADEUS

No dia de vir embora, adivinha? O dia nasceu lindo! Mas não tem problema, Rio… Qualquer dia desses eu volto.

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