Vinho de Cereja – Capítulo Quatro
23.10.2016

Capítulo Um

Capítulo Dois

Capítulo Três 

Capítulo Quatro

Seis sábados

Chego em casa me sentindo cansada, porém sem sono. Me sirvo de um copo de água e faço algumas listas. Lista de compras, lista de coisas para levar, lista de pessoas para deixar mensagens e por fim começo a montar uma lista de músicas. Amanhã, se tudo sair como o planejado, assim que o mecânico deixar meu carro, eu pego a estrada.

Imprimo algumas referencias de trabalho para levar comigo e checo se a Bea está online para conversamos pelo facetime. Inicio a chamada e logo seu rosto sorridente invade a tela do meu celular.

– Amiga! Que saudade! Você está maravilhosa! – digo quando ela aparece na tela. Está diferente, cortou o cabelo como disse que faria na última vez que nos falamos dias atrás.

– Ficou bom, né? Eu amei! Mas me conta, estava ficando pilhada! Que loucura é essa história do Dani? Fiquei muito arrasada quando li as mensagens e meio desesperada por não ter conseguido falar com você. Tá tudo bem?

Eu estou enjoada dessa história, parece que quanto mais tento empurrar o acontecimento para o fundo da minha mente, mas ele volta para me atormentar, mas se tem uma pessoa com quem eu queira conversar sobre isso, essa pessoa é Beatriz.

– É aquilo que eu te contei mesmo. Parece que eu nunca conheci esse cara. Ele deixou de ser o homem que eu amava loucamente e virou o homem que trai… É uma queda abrupta.

– Mas já estava rolando antes?

Não pensei demais nessa parte porque não saberia nem por onde começar essa conversa e no final, nem sei se faria diferença quantas vezes foram, mas nas últimas horas essa pergunta pairou na minha mente. Uma vez, uma colega descobriu que o namorado estava sendo infiel e ela apontou várias ações suspeitas do namorado. Claro que na hora ela não havia achado nada demais, mas quando descobriu, todas as peças se encaixaram. Eu tentei me recordar de alguma coisa fora do comum na minha rotina com Dani, mas nada me veio em mente

– Eu não quis saber, mas acho que não… Ele não estava diferente e eu sei que ele agiria diferente, ele é desse tipo. Ele nunca escondeu o celular, essas coisa que deixam a gente desconfiada, sabe? – respondo por fim.

– Vocês conversaram?

– Ele veio aqui hoje, mas o que tem pra conversar? Ele me contaria se eu não tivesse pegado? E se ele me contasse, faria diferença? Essas perguntas estão me assombrando…

– Então, nada de perdão?

– Eu odeio essa palavra. Perdão é algo muito grande… Vamos dizer que estou magoada e que quero colocar uma pedra nesse assunto, pelo menos agora.

– Vamos mudar de assunto então? Como está o Logan?

Gemo. Não é bem essa a mudança de assunto que eu almejava… Mas vamos lá.

– Bom, a essa altura você já deve saber que ele está bem e namorando.

– O que? Eu estou falando do Logan, doidona.

– Sim. Logan Keats Gallagher. Nosso menino criou asas, Bea.

Sua expressão está muito engraçada na tela. Eu sabia que ela ficaria tão pasma quanto eu. Tudo começou quando fomos a uma festa, o Guga como sempre foi um idiota, a Bea estava triste e Logan achou que fosse uma ideia genial comprar maconha para fumar na casa dele. Acabamos a noite com a cozinha dele destruída e ele chorando no colo dela sobre como sentia falta da Paula enquanto ela lamentava que o Guga era um escroto. Eu observei a cena de longe, chorando com pipoca no cabelo e uma colher de brigadeiro na mão que não acabava nunca. Cômico se não fosse trágico, eu sei.

– Uau… Isso é chocante… – Ela diz depois de alguns segundos –  Mas e ai, como é?

– Como é o que, mulher?

– A digníssima.

– Ahh Laura. O nome dela é Laura, ela é mais nova que a gente, vegetariana, ela é ok, acho.

Ela é perfeita e a gente nunca mais vai ter o Lo de volta só pra gente.

– O que esta acontecendo, Gio? – ela pergunta com estranheza. – Você está comendo os cantos do polegar. Eu te conheço Giovana Teles!

– Nada – respondo escondendo as mãos. Desde criança eu roo as unhas e como os cantinhos quando fico ansiosa e isso enlouquece todo mundo.

Silêncio.  Ela sabe. Ela sempre sabe. Mas sabe o que? Que eu estou com ciúmes? Ela também está! É uma coisa normal…

– Não é nada. – Reforço. – É só que o meu melhor amigo está namorando e eu ainda estou digerindo essa história do Daniel… É exatamente por isso que estamos conversando agora. – Caminho para um terreno completamente seguro agora. – Eu vou para o chalé dos meus pais amanhã, lá não tem sinal de celular. Vou tentar ir à cidade uma vez por semana e dai eu falo com você… Mas vou voltar a tempo da sua chegada ou a Carol me mata…

– Tudo bem, acho que essa é a melhor ideia do ano!  – Ela diz com tranquilidade. – Tudo bem mesmo eu ficar no seu apartamento com você até ajeitar minhas coisas né?

– Bea, essa casa é sua também, eu vou amar ter você aqui pra sempre, se possível.

– Awwwn! Obrigada, fofinha. Preciso ir. Mas fico esperando sua ligação. Te amo!

 

Meu despertador me acorda às 6h30, abro minhas cortinas e descubro que o céu está nublado. Parece o dia perfeito para iniciar minha rotina. Sempre amei domingos e dias nublados, um domingo nublado desses só pode ser um presente de Deus. Tomo banho e me preparo uma xícara de café enquanto analiso minha lista de coisas para levar. Separo algumas roupas de cama, roupas, meu material de trabalho e um livro que é para o caso de acabar ficando entediada em um dia chuvoso. Quando termino de arrumar tudo e dar uma geral na casa já está próximo das 8h da manhã, meu carro deve chegar por volta das 8h30. Como tenho um tempo livre, decido mandar mensagens para os meus pais, Carol e Dani, todas dizendo basicamente a mesma coisa.

 

Eu: Estou com um trabalho importante para fazer e achei que fosse uma boa ideia fazer isso no velho chalé. Vou ficar algumas semanas fora, mas não se preocupe. Mando mensagens sempre que possível.

 

Quando meu carro é entregue pouco antes das nove, me apresso porque ainda preciso ir ao mercado, mas compro só o suficiente para ficar abastecida por uma semana, pois pretendo comprar tudo novamente na vilinha da região quando tiver mais tempo, estou ansiosa para cair na estrada e deixar minha cabeça quente para trás.

 

1° sábado

Risco o primeiro sábado no calendário desde que cheguei ao chalé. Hoje é meu sétimo dia no campo e devo dizer que essa semana inicial foi um desastre. Cheguei no domingo por volta do meio dia e a casa precisava urgentemente de uma limpeza, caso eu quisesse habitar aqui por quarenta e cinco dias. E foi o que eu fiz, abri todas as janelas, tirei a poeira, varri, passei o pano, troquei os lençóis e as toalhas, arrumei minhas coisas no velho armário do quarto principal e organizei minhas coisas de trabalho no quarto menor. Terminei já no final da tarde, morrendo de fome e me virei com alguns vegetais, ovos e macarrão bifum que eu trouxe.

No segundo dia, acordei bem cedo e aproveitei para fazer caminhada pela mata. E o resto da semana passou assim, sem que eu sequer pisasse no quarto que fiz de escritório. Então hoje, depois de passar duas horas sentada na frente do computador sem produzir nada, decido pegar minha bolsa e ir até a cidade reabastecer a geladeira e procurar wi-fi para eu salvar mais algumas referencias. A cidade fica há quinze quilômetros e assim que o sinal aparece no meu celular, uma quantidade absurda de bipes toma conta do carro. Pude encontrar o finalzinho da feira orgânica que ainda possuía bons ingredientes e verduras fresquinhas. Com essas compras feitas, vou ao mercado comprar ingredientes para a pizza caseira que pretendo fazer e ainda sobra tempo e alguns trocados para me abastecer de brincos novos na feirinha hippie.

Sento em uma cafeteria simples, mas que fornece wi-fi para os clientes e me ponho a trabalhar, primeiro checo minhas mensagens: oito do Daniel, quatro da Carol, uma da minha mãe que assina junto com meu pai e uma do Logan. Leio rapidamente as mensagens do Daniel que são basicamente pequenos relatos sobre o seu dia e uma delas me perguntando qual é o produto de limpeza eu comprava pra limpar o chão dele. Clássico.

As mensagens da Carol são todas do dia em que eu viajei, todas demonstrado indignação pela minha irresponsabilidade de viajar tão próximo a viagem de volta da Bea quando deveríamos estar discutindo todos os detalhes da festa. Meus pais me mandaram um simples “cuidado na estrada, vai com Deus” e por ultimo a mensagem do Logan que era nada mais nada menos que um “Boa viagem. Não fique muito tempo sem mandar noticias.”

Fico desapontada, mas o que eu estava esperando afinal?

Respondo a Carol pedindo para ela relaxar e a assegurando de que tudo vai dar certo, que Logan tem a chave do meu apartamento e que eu provavelmente só atrapalharia tudo. Completei com um: você tem carta branca para fazer o que quiser. E sei que com isso, consegui acalmar a onça. Escrevo para o Daniel a marca e o cheiro do produto que costumava usar, mas depois me sinto mal por ser tão genérica e acabo mandando outra mensagem comentando algumas coisas sobre a rotina dele e contando um pouco da minha. Para minha mãe conto sobre o estado da casa e que ela pode ficar orgulhosa de mim porque deixei tudo um brinco. Deixo um resumo da minha semana para Bea. E para o Logan, nada.

 

2° sábado

– Estou com.saudade! Como está?

– Desculpa não ter ligado antes. – Digo para a Bea, do mesmo café em que estive na semana passada.

Tenho vindo a cidade com mais frequência do que gostaria, mas no sábado anterior meu trabalho fluiu bem e essa é a terceira vez que venho essa semana. Costumo chegar cedo, almoço por ali e me sento no café, onde passo horas e horas estudando tipografia e trabalhando com diferentes materiais.

– Ansiosa para voltar pra casa? – pergunto.

– Estou dividida, mas quero voltar sim! – ela diz um pouco distraída. – Como o chalé está te tratando? Você parece diferente. Melhor.

Eu também me sinto assim, mais leve. Não tive muito tempo de pensar no Dani ou no Logan… Cozinhei, li alguns materiais, treinei minha caligrafia, ocupei minha cabeça em tempo integral.

– Estou bem. Não gosto da carga emocional que foi jogada de uma vez em cima de mim, mas estou curtindo esse tempo só. Meditando, fazendo caminhadas longas…

– Tem falado com o Dani?

– Me manda mensagem dia sim, dia não perguntando sobre produtos de limpeza de casa e pedindo receitas… É meio fofo, sabe? Mas estou tentando não pensar muito nisso.

– Você sente saudade dele?

Sinto?

– Estou tentando não pensar muito nisso – repito. – Mas… É, eu sinto falta, não tenho certeza se é dele ou da nossa rotina. Às vezes acho que toda aquela paixão, virou ternura.

– Ternura é uma palavra tão não romântica, ternura eu sinto por um filhotinho de cachorro – ela tira sarro.

– Eu sei!

– Mas não vamos falar sobre isso, afinal de contas você foi está ai para não pensar nesse assunto. Como está o Logan?

Minha amiga definitivamente gosta de me massacrar.

– O Logan?  Está bem. Acho.

Ela me olha confusa.

– Giovana? Qual foi a última vez que você falou com o Logan?

– Hummm… Há umas duas semanas?

– Você falou com ele antes de viajar – Bea conclui.

– É. Mais ou menos – desconverso.

– Por que?

– Por que o que?

– Porque você está fugindo dele, criatura?

– Eu não estou fugindo, é que não tem nada pra conversar. Só isso – justifico.

– Você está conversando comigo.

Ela está certa, é muito simples, sempre que tenho assuntos para tratar com a Bea, é certeiro de quem terei algo pra falar como o Logan, mas ultimamente sinto que não temos mais nada em comum. Sinto que viajei para me entender e Logan acaba fazendo parte desse processo.

– Tem razão. Estou pensando em ligar para ele – cedo.

– Vocês ainda são amigos, sabe? – ela pontua.

– Preciso ir – digo quando Clara, a minha segunda garçonete favorita da vida, coloca uma xícara de café na minha mesa.

– Liga pro Logan.

Depois de desligarmos, encaro o aparelho na minha mão. É só uma ligação, penso quando aperto o botãozinho verde da chamada.

Eu ligo, mas ele não atende.

 

3° sábado

Passo a semana inteira no chalé aproveitando o fim do bloqueio criativo, nos últimos dias minha mente funcionou pra valer e eu passei algumas madrugadas trabalhando no projeto. No sábado me dou ao luxo de tirar um dia de folga para acordar cedo, fazer caminhada e encontrar uma pedra onde eu pudesse meditar. Depois de fazer tudo isso, sem tomar banho, dirijo rumo à cidade, pois preciso abastecer a geladeira urgentemente. E eu sei que não dá mais pra adiar, pois a verdade é só uma: eu estou morrendo de saudade. Estaciono no supermercado e aproveito que estou no ar condicionado do carro para fugir do calor e disco o número de telefone do Logan. O celular mal chama e ele atende como se estivesse esperando por isso o dia todo.

– Petit Gateau de doce de leite? – Começo tentando adivinhar o que ele vai comer no nosso ritual de café da manhã.

Trouxe comigo um pãozinho que fiz ontem e geleia de morango caseira, só para o caso de ele repetir a pergunta pra mim. Sua gargalhada vibra do outro lado da linha.

– Huuum… Oi Gi – sua voz está rouca, como se ele estivesse acordando agora. O imagino passando a mão na nuca e logo em seguida passando a mão pelos cabelos.

– Oi Logan.

Ficamos em silêncio, sem que ele responda a minha pergunta. Gosto de pensar que ele não vai na Margot porque isso é uma coisa nossa, como se não fizesse sentindo ele ir tomar café da manhã sozinho, então deixo pra lá e pergunto como ele está e o que anda fazendo. Ele responde de forma sucinta e faz as mesmas perguntas que respondo de forma genérica. Tudo bem. Nada demais. Está claro o constrangimento entre nós, mas não é algo que afeta, é mais como se fosse um flerte inofensivo que me deixa nervosa.

– Croissant de presunto e queijo – ele responde do nada.

Começo a reparar nos sons ao fundo da ligação, sons de talheres raspando pratos, xícaras batendo nos pires e conversa animada. Ele foi tomar café da manhã sem mim, afinal de contas. Talvez ele esteja com tanta saudade a ponto de ter que ir lá para se sentir conectado comigo, concluo.

– O que? Você nunca come coisas de sal! – digo surpresa.

– Eu sei! Mas a Laura me incentivou e é incrível.

Meu humor despenca. Claro. Ele e a Laura estão tomando café da manhã na mesma mesa que nós dividimos por anos, jogando o jogo que nós criamos. Como isso é diferente da traição do Daniel?

– A Laura está com você?

– Está… Não é a mesma coisa, ela não me deixa roubar do prato dela. – ele diz tranquilamente. – Mas, acho que não posso mais vir aqui sozinho.

Por que o fato de Logan está na nossa padaria favorita com a Laura me causa tanto desconforto? Meu coração acelera e sou tomada por uma onda de ansiedade que gela minha barriga e me sufoca. Eu odeio me sentir assim. Eu tenho ciúme da Laura, tenho ciúme porque ela está roubando meus momentos… Que eu entreguei de bandeja, eu que decidi viajar.

– Legal. – digo distraída. – Eu preciso ir. Mas a gente se fala uma próxima vez, ok?

4° sábado

Depois de uma pedalada, me convenço de que é uma boa ideia encher a velha banheira. Ela é minúscula, se eu não soubesse que a ideia foi da minha mãe, eu acharia que ela estaria instalada ali desde os anos vinte. Fervo um pouco de água no fogão e misturo à gelada que já espera por mim e improviso bolhas de sabão e espuma com meu shampoo favorito. No começo, me sinto desconfortável, minhas pernas são longas demais para o tamanho da banheira, mas com o tempo consigo me encaixar e até tiro um cochilo.

Durante a tarde, uma chuva fininha cai e ficar enrolada em um cobertor com uma xícara de chá esquentando as mãos, me causam sentimentos diversos, paz e saudade. Saudade de ser um par. Eu era um par com a Bea e ela se mudou, eu era um par com o Dani e aconteceu o que aconteceu, eu era um par com o Logan e bem… Eu não ser sozinha, concluo, mas quero aprender. Vasculho nos velhos baús da casa e encontro um caderno velho no qual começo a escrever uma carta para mim mesma.

Querida Giovana,

Querida de quem?

Essa situação toda é ridícula e espero nunca mais colocar as mãos nesse caderno, pois sei que morrerei de vergonha. Acho que estou começando do jeito errado, vou tentar parecer mais positiva. Não desiste de mim.

Estou sozinha em uma tarde chuvosa e descobri que apesar de ser independente em vários aspectos da minha vida, sinto que na mais importante delas sou um desastre.

Estou sentindo falta do Dani e me sinto culpada por isso. Não é falta de sexo, embora suas mãos fossem habilidosas e… Ok talvez tenha um pouco a ver com sexo, mas sinto falta de sua presença. Às vezes eu passava o dia trancada no quarto e ele preso no sofá, não trocávamos uma só palavra até a noite começar a cair, mas só sua presença bastava.

E tem o Logan… Toda essa situação de namoro está me deixando maluca.

Será possível eu estar romanticamente apaixonada pelo meu melhor amigo?

Largo a caneta e o caderno no chão. É um pensamento ridículo.

 

5° sábado

Tomando uma xícara de café, avalio o meu progresso. A letra definitivamente é essa… Preciso analisar melhor o desenho da logo, não está casando.

São dez horas da manhã, me espreguiço na cadeira e decido voltar ao trabalho mais tarde. Tomo banho e parto para ir almoçar na cidade, no percurso a cena se repete como em todos os sábados anteriores, os sons das mensagens chegando ao meu celular quando atravesso os limites da cidade. Confiro todas elas assim que estaciono no bistrô.

 

Bea: Karma é uma merda.

Bea: Menos de uma semana para partir, conheço o irlandês mais lindo do mundo.

Bea: Sim. Ele parece o Hozier.

Bea: *chora*

 

Mãe: Não se esqueça de mandar as fotos do chalé. Papai e eu pretendemos visitar em breve, te amo.

 

Daniel: Hoje o dia foi estressante.

Daniel: Sei que não quer saber, mas eu realmente sinto sua falta.

Daniel: Já pensei um milhão de vezes em pegar o carro e ir parar ai.

Daniel: Não se preocupe, não vou ser idiota. Eu nem devia ter falado isso. Esquece.

 

Essas foram do começo da semana e tem duas que chegaram há poucos minutos:

 

Daniel: Sabe como você faz pra ganhar um chokito?

Daniel: Eu sei que você vai se roer por dentro para descobrir, mas só vou contar quando vc prometer que não vai me odiar pra sempre quando souber a resposta.

 

Respondo imediatamente:

 

Eu: Prometo.

 

Volto para a leitura das minhas mensagens atrasadas.

 

Carol: Decidimos servir mexicano na festa de boas vindas da Bea.

Carol: Não sei pq estou falando isso.

Carol: Não é como você se importasse.

 

Reviro os olhos e deixo para responder depois.

 

Logan: Oi, estranha

 

Uma única mensagem em dias… A ignoro e abro a conversa com o Dani, pois ele acabou de responder o grande mistério.

 

Daniel: É só colocar o dedito na tomadita. Ai vc ganha um chokito!

Daniel: HAHAHAHAHAHA

 

Não consigo me segurar, é tão bobo que me mata de rir. Não penso muito e ligo para ele.

– Você é horrível – saudo.

– Mas você riu.

– Ri.

– Oi – ele diz timidamente.

– Oi – respondo com a mesma entonação. – Então…

– Pois é…

– Eu achei que fosse tudo bem ligar, tudo bem, né? – o que estou fazendo?

– Claro, claro!

– É só que tem sido bem solitário aqui, mas não quero… Não quero que isso seja além do que realmente é, tá bom? – me explico.

– E o que isso é?

– Duas pessoas que estão tentando ver a situação por outro ângulo?

– Uau… Você não está tentando me dizer que seremos amigos com benefícios?

– Não… É só isso, eu ainda estou…

– Não, eu sei. Você não precisa falar nada, eu estou forçando a barra. Mas eu sinto sua falta também, só pra constar – ele me tranquiliza.

– Certo.

– Como está o trabalho? – ele pergunta e de repente tudo é simplificado.

 

6° sábado

Acabou. Estou satisfeita com meu trabalho, minha cabeça está fresca e minha mala pronta. Dirijo direto para casa do Logan porque é lá que está acontecendo a festa de boas vindas da Bea e eu já estou atrasada.

2 comentários

  • Avatar Renata S. Ferreira disse:

    Olá

    Um Feliz 2017, gostaria de saber se não será publicado capítulo do livro Vinho de Cereja.

    Grata

    Renata

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