FOTOJORNALISMO: CIDADE
16.05.2020

Oi, tudo bem? Esse post vai ser duas coisas: 1. um compilado de fotos que tirei para alguns trabalhos de fotojornalismo na faculdade e 2. um texto que escrevi para uma oficina de escrita que consistia em escrever sobre uma cidade como se ela fosse uma pessoa.

PRAIA DA GRACIOSA

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#1 ESCREVA SOBRE O SEU PRIMEIRO AMOR
27.04.2020

Primeiro Amor

Estudava na mesma escola havia anos, nada acontecia de diferente ali, então um dia aconteceu.
Eu não lembro bem quantos anos eu tinha, mas parecia que eu tinha nascido para aquilo, para gostar de alguém.

Seu nome era Gilberto, um nome pouco comum para uma criança. Deveria ter uma lei dizendo que só pessoas velhas deveriam ter nomes tão adultos, assim como João Vitors só podem viver até os dez anos.

Foi o sorriso. O sorriso de Gilberto. Me apaixonei pelos dentes branquíssimos perfeitamente enfileirados. Até os olhos dele sorriam!
Juro que uma vez vi uma estrelinha igual desenho animado quando ele gargalhou.

Infelizmente, esse não era um caso de quem ama o feio, bonito lhe parece. Todas as garotas da escola nutriam um crush pelo meu primeiro amor, então eu não tinha a menor chance.

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ESCRITA #1: A HISTÓRIA QUE VOCÊ QUER CONTAR
10.04.2020

ESCRITA – Quer escrever um livro? Então, você é capaz. Muito se fala de dom, nunca acreditei nisso e compartilho do mesmo pensamento do escritor Raphael Montes, ele diz: não é dom, é no máximo predisposição.

Uns dias atrás reclamei que minha inspiração tinha sido roubada pelos processos da escrita. Quando eu tinha 19 anos, escrevi um livro e pareceu muito fácil! É um livro bem escrito? Não. Mas fui capaz de escrever 193 páginas, então isso deve valer alguma coisa.

Isso aconteceu porque eu não fazia a menor ideia do que estava fazendo. O Raphael disse a mesma coisa, ele escreveu Suicidas aos 16 anos de maneira bem irresponsável até. Tudo isso fez mais sentido ainda quando li o discurso Make Good Art de 2012 do Neil Gailman (que eu recomendo fortemente que você leia aqui), ele diz:

“As pessoas que sabem o que estão fazendo conhecem as regras, e sabem o que é possível e o que é impossível. Vocês não. E vocês não devem. As regras sobre o que é possível e impossível nas artes foram feitas por pessoas que não tinham testado os limites do possível indo além deles. E vocês podem.”

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NaNoWriMo
30.10.2019

Há uns anos eu me deparo com esse termo esquisito, então sem mais delongas NaNoWriMo é a abreviação de NAtional NOvel WRIting MOnth, ou seja, Mês Nacional de Escrita de Romances.

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PUBLIQUEI UM LIVRO II
11.09.2019

Continuando com a série do escrevi e publiquei um livro, a primeira parte está aqui.
Vamos para a parte de encontrar uma editora. Bom, eu não sabia como funcionava um processo de publicação e o que eu fiz foi mandar e-mails para grandes editoras perguntando sobre como funcionava.
Algumas nem responderam, outras cobraram 15 mil reais e eu fiquei a ver navios.

Deveria enviar meu manuscrito? Deveria desistir? A solução que encontrei foi me inscrever em alguns concursos, quando não obtive resultados percebi que pagar para publicar era a melhor saída (não façam isso em casa, crianças).

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PUBLIQUEI UM LIVRO I
04.09.2019

Oi pessoal, esse provavelmente é o post que mais escrevo e apago nesse blog. Mas agora vai, vocês fizeram algumas perguntas no Instagram sobre escrita e acho que é uma boa maneira de começar.

INSPIRAÇÃO E PROCESSO CRIATIVO

Muita gente perguntou sobre minhas fontes de inspiração, então vamos começar do começo. Publiquei em 2013, eu tinha 21 anos e esse momento da minha vida, influenciou na escrita do livro. Acredito que para criar conteúdo, primeiro você precisa consumir conteúdo, é dai que vem minha inspiração: livros, músicas, filmes, podcasts, até histórias e gestos de outras pessoas. O escritor é, antes de tudo, um observador.

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TITANIC | WRITING TAG
31.07.2018

Oi gente! Queria conversar mais com vocês sobre a minha faceta de escritora, mas não sabia como começar até encontrar essa tag no Brincando de Escritora.

Eu vou responder perguntas relacionadas ao filme Titanic ligando ao meu e-book disponível na amazon: Céu de Tangerina.

Além de Céu de Tangerina, eu escrevi um livro chamado Mais Brilhante Que O Sol que foi publicado por uma editora e que hoje já não está mais disponível no mercado; depois, Folhas de Vidro Colorido que vou revisar e colocar na amazon em breve e no momento, estou escrevendo uma série ainda sem nome, ufa!

Sobre o livro

Logan e Giovana são melhores amigos. Ela namora e ele curte a solterice, mesmo porque a mulher que ele quer não está disponível. Logan já se acostumou a ser apaixonado pela melhor amiga e não ser correspondido. Quando Giovana termina o seu relacionamento de anos, ela embarca em uma jornada de autoconhecimento e se dá conta de uma verdade: ela sempre foi apaixonada pelo melhor amigo. Acontece que nesse meio tempo, Logan finalmente conseguiu se apaixonar por outra pessoa…

Às vezes, nos apaixonamos pela pessoa errada e juramos que ela é a certa. Outras vezes, o amor está bem na nossa frente e não conseguimos enxergar.
Giovana e Logan são melhores amigos e levam bastante tempo para descobrir que, na verdade, foram feitos um para o outro.

 

TAG

  • Rose – O que faz a sua personagem principal ser forte, marcante?

Acho a Giovana muito focada e ela é aquela amigona que não pergunta demais, só vai, sabe? Ela respeita demais o espaço individual de cada um e eu acho isso muito especial.

  • Já faz 84 anos… – Seu livro tem cenas de flashback? Se não, como você lida com o passado dos personagens?

Não é um recurso que eu adoro, mas confesso que escrevo alguns flashbacks sim <3

  • Jack – O que torna o casal principal tão amado?

Acho que a cumplicidade deles que antes de qualquer coisa são amigos.

  • Eu sou o rei do mundo! – Qual trecho do livro você acha que as pessoas vão citar depois de ler?

Awn, eu adoro vários trechinhos, vou escolher um aleatório aqui:

Queria que você se visse através dos meus olhos, Gi. Só assim saberia o quando você é linda.

  • My heart will go on – Tem um amor proibido no seu livro? Se não for proibido, que obstáculos o casal tem que passar para ficar juntos?

Acho que já ficou bem claro na sinopse… Não tem amor proibido. O obstáculo é que quando um não está comprometido o outro está hahahaha é a vida acontecendo.

  • Coração do oceano – A história tem uma meta?

A meta é eles finalmente ficarem juntos.

  • Pinte-me como uma de suas garotas francesas – Tem alguma parte do seu livro que você sentiria vergonha se sua família lesse?

Não, porque até eu tenho vergonha dessas coisaz kkkk.

  • Iceberg – O que você acha falho no seu enredo?

Acho  que alguns erros técnicos de quem escreve adoidado hahaha mas eu até gosto.

 

Espero que vocês tenham gostado desse conteúdo. Beijos e até a próxima!

Trecho Do Meu Livro: Céu de Tangerina
01.10.2017

Oi pessoal <3

Esse post é muito especial pra mim. Pra quem não sabe, eu sou metida a escrever histórias de amor. Já tive um livro publicado (que hoje não é mais encontrado) e ao mesmo tempo que essa foi uma das melhores experiencias da minha vida também foi a mais frustrante. Demorou um tempo até eu sentir vontade de escrever novamente, mas aconteceu e depois de ter participado de um concurso para publicar e perder, resolvi me auto publicar na amazon.

Sinopse:

Às vezes, nos apaixonamos pela pessoa errada e juramos que ela é a certa. Outras vezes, o amor está bem na nossa frente e não conseguimos enxergar.

Todo mundo já teve um amigo que na verdade foi um crush. Mas quantas vezes essa amizade evoluiu para uma linda história de amor? Giovana e Logan são melhores amigos e levam bastante tempo para descobrir que, na verdade, foram feitos um para o outro.

 

Trecho:

Saio do banheiro, pronta para encará-lo, mas esbarro em um cara. Ele é alto. Muito alto. E ruivo, até seus cílios são vermelhinhos, é meio que fofo e hipnotizante porque eles se tocam de leve como as batidas das asas de uma borboleta preguiçosa. Ele me segura pelos ombros e acho que é isso que me impede de me afogar em seus olhos azuis.

– Cuidado, Houston – voz dele é rouca e arrogante.

– Desculpa! Eu… – Franzo o cenho atordoada. – Você me chamou de Houston?

O ruivo abre um sorriso enorme – nossa senhora – e liberta meus ombros de seu aperto. Aproveito para fazer um check up e concluo que ele derrubará muitas calcinhas por aqui, mas espero que a minha continue intacta.

– É só uma brincadeira. Logan Hunt – se apresenta estendendo a mão.

Logan Hunt é o estereótipo perfeito. Noto quando um cara passa por ele dando-lhe um tapinha nas costas e o chamando pelo sobrenome. Atletas – eles amam se chamar pelo sobrenome. Se eu estiver no caminho certo, ele não é o mais inteligente da classe, a beleza deve compensar isso.

– Prazer em te conhecer, Logan Hunt – digo dando as costas e indo em direção à Bea e Matt que estão olhando pra mim.

– E você é… – ele diz estendendo a frase, me fazendo olhar por cima do ombro e sorrir.

– É melhor começar olhar por onde anda, Dallas.

 

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Espero que vocês gostem <3

Vinho de Cereja – Capítulo Quatro
23.10.2016

Capítulo Um

Capítulo Dois

Capítulo Três 

Capítulo Quatro

Seis sábados

Chego em casa me sentindo cansada, porém sem sono. Me sirvo de um copo de água e faço algumas listas. Lista de compras, lista de coisas para levar, lista de pessoas para deixar mensagens e por fim começo a montar uma lista de músicas. Amanhã, se tudo sair como o planejado, assim que o mecânico deixar meu carro, eu pego a estrada.

Imprimo algumas referencias de trabalho para levar comigo e checo se a Bea está online para conversamos pelo facetime. Inicio a chamada e logo seu rosto sorridente invade a tela do meu celular.

– Amiga! Que saudade! Você está maravilhosa! – digo quando ela aparece na tela. Está diferente, cortou o cabelo como disse que faria na última vez que nos falamos dias atrás.

– Ficou bom, né? Eu amei! Mas me conta, estava ficando pilhada! Que loucura é essa história do Dani? Fiquei muito arrasada quando li as mensagens e meio desesperada por não ter conseguido falar com você. Tá tudo bem?

Eu estou enjoada dessa história, parece que quanto mais tento empurrar o acontecimento para o fundo da minha mente, mas ele volta para me atormentar, mas se tem uma pessoa com quem eu queira conversar sobre isso, essa pessoa é Beatriz.

– É aquilo que eu te contei mesmo. Parece que eu nunca conheci esse cara. Ele deixou de ser o homem que eu amava loucamente e virou o homem que trai… É uma queda abrupta.

– Mas já estava rolando antes?

Não pensei demais nessa parte porque não saberia nem por onde começar essa conversa e no final, nem sei se faria diferença quantas vezes foram, mas nas últimas horas essa pergunta pairou na minha mente. Uma vez, uma colega descobriu que o namorado estava sendo infiel e ela apontou várias ações suspeitas do namorado. Claro que na hora ela não havia achado nada demais, mas quando descobriu, todas as peças se encaixaram. Eu tentei me recordar de alguma coisa fora do comum na minha rotina com Dani, mas nada me veio em mente

– Eu não quis saber, mas acho que não… Ele não estava diferente e eu sei que ele agiria diferente, ele é desse tipo. Ele nunca escondeu o celular, essas coisa que deixam a gente desconfiada, sabe? – respondo por fim.

– Vocês conversaram?

– Ele veio aqui hoje, mas o que tem pra conversar? Ele me contaria se eu não tivesse pegado? E se ele me contasse, faria diferença? Essas perguntas estão me assombrando…

– Então, nada de perdão?

– Eu odeio essa palavra. Perdão é algo muito grande… Vamos dizer que estou magoada e que quero colocar uma pedra nesse assunto, pelo menos agora.

– Vamos mudar de assunto então? Como está o Logan?

Gemo. Não é bem essa a mudança de assunto que eu almejava… Mas vamos lá.

– Bom, a essa altura você já deve saber que ele está bem e namorando.

– O que? Eu estou falando do Logan, doidona.

– Sim. Logan Keats Gallagher. Nosso menino criou asas, Bea.

Sua expressão está muito engraçada na tela. Eu sabia que ela ficaria tão pasma quanto eu. Tudo começou quando fomos a uma festa, o Guga como sempre foi um idiota, a Bea estava triste e Logan achou que fosse uma ideia genial comprar maconha para fumar na casa dele. Acabamos a noite com a cozinha dele destruída e ele chorando no colo dela sobre como sentia falta da Paula enquanto ela lamentava que o Guga era um escroto. Eu observei a cena de longe, chorando com pipoca no cabelo e uma colher de brigadeiro na mão que não acabava nunca. Cômico se não fosse trágico, eu sei.

– Uau… Isso é chocante… – Ela diz depois de alguns segundos –  Mas e ai, como é?

– Como é o que, mulher?

– A digníssima.

– Ahh Laura. O nome dela é Laura, ela é mais nova que a gente, vegetariana, ela é ok, acho.

Ela é perfeita e a gente nunca mais vai ter o Lo de volta só pra gente.

– O que esta acontecendo, Gio? – ela pergunta com estranheza. – Você está comendo os cantos do polegar. Eu te conheço Giovana Teles!

– Nada – respondo escondendo as mãos. Desde criança eu roo as unhas e como os cantinhos quando fico ansiosa e isso enlouquece todo mundo.

Silêncio.  Ela sabe. Ela sempre sabe. Mas sabe o que? Que eu estou com ciúmes? Ela também está! É uma coisa normal…

– Não é nada. – Reforço. – É só que o meu melhor amigo está namorando e eu ainda estou digerindo essa história do Daniel… É exatamente por isso que estamos conversando agora. – Caminho para um terreno completamente seguro agora. – Eu vou para o chalé dos meus pais amanhã, lá não tem sinal de celular. Vou tentar ir à cidade uma vez por semana e dai eu falo com você… Mas vou voltar a tempo da sua chegada ou a Carol me mata…

– Tudo bem, acho que essa é a melhor ideia do ano!  – Ela diz com tranquilidade. – Tudo bem mesmo eu ficar no seu apartamento com você até ajeitar minhas coisas né?

– Bea, essa casa é sua também, eu vou amar ter você aqui pra sempre, se possível.

– Awwwn! Obrigada, fofinha. Preciso ir. Mas fico esperando sua ligação. Te amo!

 

Meu despertador me acorda às 6h30, abro minhas cortinas e descubro que o céu está nublado. Parece o dia perfeito para iniciar minha rotina. Sempre amei domingos e dias nublados, um domingo nublado desses só pode ser um presente de Deus. Tomo banho e me preparo uma xícara de café enquanto analiso minha lista de coisas para levar. Separo algumas roupas de cama, roupas, meu material de trabalho e um livro que é para o caso de acabar ficando entediada em um dia chuvoso. Quando termino de arrumar tudo e dar uma geral na casa já está próximo das 8h da manhã, meu carro deve chegar por volta das 8h30. Como tenho um tempo livre, decido mandar mensagens para os meus pais, Carol e Dani, todas dizendo basicamente a mesma coisa.

 

Eu: Estou com um trabalho importante para fazer e achei que fosse uma boa ideia fazer isso no velho chalé. Vou ficar algumas semanas fora, mas não se preocupe. Mando mensagens sempre que possível.

 

Quando meu carro é entregue pouco antes das nove, me apresso porque ainda preciso ir ao mercado, mas compro só o suficiente para ficar abastecida por uma semana, pois pretendo comprar tudo novamente na vilinha da região quando tiver mais tempo, estou ansiosa para cair na estrada e deixar minha cabeça quente para trás.

 

1° sábado

Risco o primeiro sábado no calendário desde que cheguei ao chalé. Hoje é meu sétimo dia no campo e devo dizer que essa semana inicial foi um desastre. Cheguei no domingo por volta do meio dia e a casa precisava urgentemente de uma limpeza, caso eu quisesse habitar aqui por quarenta e cinco dias. E foi o que eu fiz, abri todas as janelas, tirei a poeira, varri, passei o pano, troquei os lençóis e as toalhas, arrumei minhas coisas no velho armário do quarto principal e organizei minhas coisas de trabalho no quarto menor. Terminei já no final da tarde, morrendo de fome e me virei com alguns vegetais, ovos e macarrão bifum que eu trouxe.

No segundo dia, acordei bem cedo e aproveitei para fazer caminhada pela mata. E o resto da semana passou assim, sem que eu sequer pisasse no quarto que fiz de escritório. Então hoje, depois de passar duas horas sentada na frente do computador sem produzir nada, decido pegar minha bolsa e ir até a cidade reabastecer a geladeira e procurar wi-fi para eu salvar mais algumas referencias. A cidade fica há quinze quilômetros e assim que o sinal aparece no meu celular, uma quantidade absurda de bipes toma conta do carro. Pude encontrar o finalzinho da feira orgânica que ainda possuía bons ingredientes e verduras fresquinhas. Com essas compras feitas, vou ao mercado comprar ingredientes para a pizza caseira que pretendo fazer e ainda sobra tempo e alguns trocados para me abastecer de brincos novos na feirinha hippie.

Sento em uma cafeteria simples, mas que fornece wi-fi para os clientes e me ponho a trabalhar, primeiro checo minhas mensagens: oito do Daniel, quatro da Carol, uma da minha mãe que assina junto com meu pai e uma do Logan. Leio rapidamente as mensagens do Daniel que são basicamente pequenos relatos sobre o seu dia e uma delas me perguntando qual é o produto de limpeza eu comprava pra limpar o chão dele. Clássico.

As mensagens da Carol são todas do dia em que eu viajei, todas demonstrado indignação pela minha irresponsabilidade de viajar tão próximo a viagem de volta da Bea quando deveríamos estar discutindo todos os detalhes da festa. Meus pais me mandaram um simples “cuidado na estrada, vai com Deus” e por ultimo a mensagem do Logan que era nada mais nada menos que um “Boa viagem. Não fique muito tempo sem mandar noticias.”

Fico desapontada, mas o que eu estava esperando afinal?

Respondo a Carol pedindo para ela relaxar e a assegurando de que tudo vai dar certo, que Logan tem a chave do meu apartamento e que eu provavelmente só atrapalharia tudo. Completei com um: você tem carta branca para fazer o que quiser. E sei que com isso, consegui acalmar a onça. Escrevo para o Daniel a marca e o cheiro do produto que costumava usar, mas depois me sinto mal por ser tão genérica e acabo mandando outra mensagem comentando algumas coisas sobre a rotina dele e contando um pouco da minha. Para minha mãe conto sobre o estado da casa e que ela pode ficar orgulhosa de mim porque deixei tudo um brinco. Deixo um resumo da minha semana para Bea. E para o Logan, nada.

 

2° sábado

– Estou com.saudade! Como está?

– Desculpa não ter ligado antes. – Digo para a Bea, do mesmo café em que estive na semana passada.

Tenho vindo a cidade com mais frequência do que gostaria, mas no sábado anterior meu trabalho fluiu bem e essa é a terceira vez que venho essa semana. Costumo chegar cedo, almoço por ali e me sento no café, onde passo horas e horas estudando tipografia e trabalhando com diferentes materiais.

– Ansiosa para voltar pra casa? – pergunto.

– Estou dividida, mas quero voltar sim! – ela diz um pouco distraída. – Como o chalé está te tratando? Você parece diferente. Melhor.

Eu também me sinto assim, mais leve. Não tive muito tempo de pensar no Dani ou no Logan… Cozinhei, li alguns materiais, treinei minha caligrafia, ocupei minha cabeça em tempo integral.

– Estou bem. Não gosto da carga emocional que foi jogada de uma vez em cima de mim, mas estou curtindo esse tempo só. Meditando, fazendo caminhadas longas…

– Tem falado com o Dani?

– Me manda mensagem dia sim, dia não perguntando sobre produtos de limpeza de casa e pedindo receitas… É meio fofo, sabe? Mas estou tentando não pensar muito nisso.

– Você sente saudade dele?

Sinto?

– Estou tentando não pensar muito nisso – repito. – Mas… É, eu sinto falta, não tenho certeza se é dele ou da nossa rotina. Às vezes acho que toda aquela paixão, virou ternura.

– Ternura é uma palavra tão não romântica, ternura eu sinto por um filhotinho de cachorro – ela tira sarro.

– Eu sei!

– Mas não vamos falar sobre isso, afinal de contas você foi está ai para não pensar nesse assunto. Como está o Logan?

Minha amiga definitivamente gosta de me massacrar.

– O Logan?  Está bem. Acho.

Ela me olha confusa.

– Giovana? Qual foi a última vez que você falou com o Logan?

– Hummm… Há umas duas semanas?

– Você falou com ele antes de viajar – Bea conclui.

– É. Mais ou menos – desconverso.

– Por que?

– Por que o que?

– Porque você está fugindo dele, criatura?

– Eu não estou fugindo, é que não tem nada pra conversar. Só isso – justifico.

– Você está conversando comigo.

Ela está certa, é muito simples, sempre que tenho assuntos para tratar com a Bea, é certeiro de quem terei algo pra falar como o Logan, mas ultimamente sinto que não temos mais nada em comum. Sinto que viajei para me entender e Logan acaba fazendo parte desse processo.

– Tem razão. Estou pensando em ligar para ele – cedo.

– Vocês ainda são amigos, sabe? – ela pontua.

– Preciso ir – digo quando Clara, a minha segunda garçonete favorita da vida, coloca uma xícara de café na minha mesa.

– Liga pro Logan.

Depois de desligarmos, encaro o aparelho na minha mão. É só uma ligação, penso quando aperto o botãozinho verde da chamada.

Eu ligo, mas ele não atende.

 

3° sábado

Passo a semana inteira no chalé aproveitando o fim do bloqueio criativo, nos últimos dias minha mente funcionou pra valer e eu passei algumas madrugadas trabalhando no projeto. No sábado me dou ao luxo de tirar um dia de folga para acordar cedo, fazer caminhada e encontrar uma pedra onde eu pudesse meditar. Depois de fazer tudo isso, sem tomar banho, dirijo rumo à cidade, pois preciso abastecer a geladeira urgentemente. E eu sei que não dá mais pra adiar, pois a verdade é só uma: eu estou morrendo de saudade. Estaciono no supermercado e aproveito que estou no ar condicionado do carro para fugir do calor e disco o número de telefone do Logan. O celular mal chama e ele atende como se estivesse esperando por isso o dia todo.

– Petit Gateau de doce de leite? – Começo tentando adivinhar o que ele vai comer no nosso ritual de café da manhã.

Trouxe comigo um pãozinho que fiz ontem e geleia de morango caseira, só para o caso de ele repetir a pergunta pra mim. Sua gargalhada vibra do outro lado da linha.

– Huuum… Oi Gi – sua voz está rouca, como se ele estivesse acordando agora. O imagino passando a mão na nuca e logo em seguida passando a mão pelos cabelos.

– Oi Logan.

Ficamos em silêncio, sem que ele responda a minha pergunta. Gosto de pensar que ele não vai na Margot porque isso é uma coisa nossa, como se não fizesse sentindo ele ir tomar café da manhã sozinho, então deixo pra lá e pergunto como ele está e o que anda fazendo. Ele responde de forma sucinta e faz as mesmas perguntas que respondo de forma genérica. Tudo bem. Nada demais. Está claro o constrangimento entre nós, mas não é algo que afeta, é mais como se fosse um flerte inofensivo que me deixa nervosa.

– Croissant de presunto e queijo – ele responde do nada.

Começo a reparar nos sons ao fundo da ligação, sons de talheres raspando pratos, xícaras batendo nos pires e conversa animada. Ele foi tomar café da manhã sem mim, afinal de contas. Talvez ele esteja com tanta saudade a ponto de ter que ir lá para se sentir conectado comigo, concluo.

– O que? Você nunca come coisas de sal! – digo surpresa.

– Eu sei! Mas a Laura me incentivou e é incrível.

Meu humor despenca. Claro. Ele e a Laura estão tomando café da manhã na mesma mesa que nós dividimos por anos, jogando o jogo que nós criamos. Como isso é diferente da traição do Daniel?

– A Laura está com você?

– Está… Não é a mesma coisa, ela não me deixa roubar do prato dela. – ele diz tranquilamente. – Mas, acho que não posso mais vir aqui sozinho.

Por que o fato de Logan está na nossa padaria favorita com a Laura me causa tanto desconforto? Meu coração acelera e sou tomada por uma onda de ansiedade que gela minha barriga e me sufoca. Eu odeio me sentir assim. Eu tenho ciúme da Laura, tenho ciúme porque ela está roubando meus momentos… Que eu entreguei de bandeja, eu que decidi viajar.

– Legal. – digo distraída. – Eu preciso ir. Mas a gente se fala uma próxima vez, ok?

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Vinho de Cereja – Capítulo três
10.10.2016

Capítulo Um

Capítulo Dois

Capítulo Três

Linhas tênues

 

– Você não vai nem fingir que vai pegar sua carteira? – Logan grita a plenos pulmões.

– Você falou que pagaria!

– Você podia pelo menos fingir que íamos dividir a conta e esperar que eu falasse: “Não, deixa comigo.” Francamente!

O casal de velhinhos que está na mesa de frente para o caixa nos observa com curiosidade e eu lhe dou um tapa na cabeça por me fazer passar vergonha. Depois de toda essa cena, Logan entrega algumas notas amassadas para Margarete que como costume suspira e diz que nós somos o casal mais lindo que ela já viu. Abro a boca para explicar pela milésima vez que somos apenas amigos, mas desisto porque há meses deixei de me importar, ela nunca vai enxergar além do que quer ver.

Quando saio pela porta, um ventinho gelado atravessa minha pele. Apesar de o dia estar ensolarado, faz frio e esse truque é péssimo porque por sentir frio, eu nunca acho que o sol está quente o suficiente e sempre acabo me queimando. Entrelaço os meus braços aos de Logan e fazemos o percurso de volta ao meu apartamento cantando as melhores músicas do Bon Jovi.

Faltando duas esquinas para chegar ao meu prédio, ele para abruptamente.

– Espera. Essa música está na minha cabeça e ela é sensacional – ele diz massageando as têmporas.

– Vai em frente – o encorajo.

If you leave me now / you’ll take away the biggest part of me / oooh no, baby please don’t go…

Explodo em uma gargalhada super alta. Ele é impossível!

– Ah, qual é? Vamos lá! – ele diz entrelaçando nossas mãos – And If you leave me now / You’ll take away the very heart of me…

– Logan, você é doido.

Oooh no, baby please don’t go / oooh girl, I just want you to stay…

Ele me gira no meio da rua me fazendo rir ainda mais alto e eu acabo não resistindo e cantando com ele:

A love like ours is love that’s hard to find / how could we let it slip away / We’ve come too far to leave it all behind…

Quando terminamos a cantoria, minha barriga e minhas bochechas doem de tanto rir. Voltamos a caminhar, dessa vez, lado a lado, com as mãos nos bolsos do casaco. Paramos em frente ao meu prédio e olhamos inconscientemente para a sebe que cresce descontroladamente pelo muro e nos abraçamos bem forte. É como se nada tivesse mudado quando estou com Logan, como se eu nunca tivesse flagrado meu noivo com outra.

– Estou tão feliz por você, Lo.

A lição mais importante que aprendi na vida, retirei de uma comédia romântica: estou feliz por você estar feliz. Dizer isso significa que eu não estou feliz em uma situação geral, porém aceito. Aceito que Logan finalmente tenha seguido em frente, que esteja pronto para entregar seu coração para alguém, mas também estou insegura. Ele é impulsivo e não quero que entregue seu coração por inteiro de uma vez, mesmo sabendo que nesse instante, eu sou a pessoa mais hipócrita do mundo.

– Quero que me prometa que nunca vai deixar suas covinhas desaparecerem. – ele diz acariciando minhas bochechas. Quero que você fique feliz a ponto de elas aparecerem a todo momento…

Sinto um arrepio na minha nuca e como se esse fosse o estímulo que eu precisasse, sorrio sentindo minhas bochechas se afundarem. Ele passa o dedão bem no furinho da minha bochecha direita, acariciando com sua mão levemente áspera. O ponto que nunca considerei como sensível, de repente é o lugar mais quente do meu corpo. De modo que o meu sangue agora está todo concentrado no rosto.

– Queria que você se visse através dos meus olhos, Gi… Ai você saberia o quanto você é linda.

Minhas pernas tremem um pouco. Logan e eu sempre nos tocamos com liberdade, então porque tudo parece tão diferente agora? E por que eu estou pensando que posso beijá-lo agora? Balanço a cabeça gentilmente, afastando minha pele do seu toque e coloco na minha cabeça que estou procurando um step pro meu pé na bunda, que estou me sentindo carente depois de ter flagrado meu noivo com outra e que Logan me tratando desse jeito é tudo o que eu preciso. Mas ele não pode ser esse homem. Beijo sua bochecha e digo um tchau baixinho.

Subo para meu apartamento cheia de minhocas na cabeça. Me pego encarando meu reflexo no espelho do elevador, meu rosto voltando a cor normal, embora ainda exiba manchas vermelhas nas bochechas e na testa. Abro um sorriso forçado e toco a mesma covinha que minutos atrás Logan tocara. Nada. Minhas mãos estão geladas, tudo o que eu sinto é o contato físico. Será que eu sempre fui sensível nesse ponto? E então percebo que ninguém nunca deu a atenção que Logan acabara de dar ao meu rosto.

Entro em casa tentando desanuviar a minha mente, tranco a porta e quando me viro para ir até a cozinha, meu coração quase sai pela boca. É claro que estaria aqui, ele tem a chave. Coloco próprias minhas chaves no balcão da cozinha, abro o armário, tiro o copo de lá e o encho na torneira do filtro. Bebo longos goles sentindo o olhar dele observando cada movimento meu enquanto tento organizar minha cabeça.

– O que você está fazendo aqui, Daniel? – digo colocando o copo na pia e encontrando coragem para olhá-lo pela primeira vez desde que entrei em casa.

Ele está de banho tomado, com roupa de ir para o trabalho. São quase onze horas, tarde demais pra ele ir ao escritório e cedo demais para estar aqui plantado no meu apartamento. Fora isso, está absolutamente comum, nada mudou. Eu esperava que ele se parecesse menos humano agora? Talvez, esteja um pouco decepcionada por ele continuar lindo, os cabelos loiros impecáveis, os olhos azuis mais brilhantes do que nunca.

– Não consegui ir trabalhar. Tentei te ligar, seu celular estava desligado, entendi que você não queria falar comigo naquele momento – ele se explica olhando para todos os cantos da casa, menos para mim, mas está controlado, como se tivesse decorado um discurso na frente do espelho.

Tudo nele sempre foi assim, calmo, controlado, frio, ensaiado. Parece que eu o enxergava através de um véu e que agora consigo o enxergar claramente.

– Sagaz – digo sarcasticamente parada na porta sem conseguir me mexer. – Mas meu celular continua desligado, assim como eu continuo sem querer falar com você.

– Eu devia ter vindo ontem… – ele diz se levantando.

– Não. Nem ontem, nem hoje, nem nunca mais. Sai da minha casa – digo tentando aumentar nossa distancia, enquanto ele tenta se aproximar.

– Não. Eu só queria…

– Você tem ideia de como eu estou me sentindo, Daniel? De como… Você tem ideia do que eu escutei? Do que eu vi?

Eu odeio você. Eu odeio você. Eu. Odeio. Você.

– Eu quero perguntar várias coisas, mas sei que você não vai ter as respostas que eu preciso, então vou fazer só as perguntas básicas: Por que você me deixou planejar tudo se sabia que nunca ia acontecer? Por que você dizia que me amava todas as manhãs se era mentira? – começo a me exaltar.

– Não é mentira! Eu amo você, Giovana! Mas…

– Se precisa ter um mas depois da frase não é o suficiente.

– Eu só queria uma fantasia. Nós estamos juntos há tanto tempo, eu só queria…

Fantasia? Você sempre foi suficiente pra mim… Você tem ideia de que eu olhei um vestido? Que eu fui a uma prova de bolos? Eu nunca tive o sonho de casar, Daniel! Era o seu sonho e eu o tomei como se fosse meu! – esbravejo.

Ele parece exausto agora que parou de tentar manter a pose. O cabelo começa a cair sob seus olhos e ele está começando a ficar suado.

– Eu cometi um erro, OK? Um erro entre um milhão de acertos. Eu te faço feliz, eu faço tudo o que você quer. Eu vim pedir uma segunda chance, não precisa ser agora, mas… Por favor – ele pede desesperado.

– Daniel…

– Todo mundo merece uma segunda chance.

– Era isso que você estava fazendo? Me dando uma segunda chance enquanto trepava com outra na nossa cama? Na cama que na noite anterior a gente tinha transado. Ou você me deu uma chance quando levou ela pro mesmo banheiro onde a gente dividia o chuveiro? Eu não tive uma segunda chance. Acho que ficamos quites aqui e você precisa ir embora – digo escancarando a porta.

Ele não se mexe. Eu não me mexo. Não gosto dessa energia que está circulando entre nós dois. Não gosto de olhar para ele agora e não gosto de sentir minha garganta apertada, meus nervos à flor da pele, de quem ele me transformou.

– Olha… Acho que a gente não precisa fazer isso agora – digo me acalmando.

– A gente tá há tanto tempo juntos. Sei que sentimento não apagou assim de uma hora pra outra. Me dá uma chance de consertar… – ele pede.

Não tem conserto.

– Vamos deixar a poeira baixar, tá bom? Eu preciso organizar umas coisas e acho que vai ser bom pra você colocar a cabeça no trilhos também.

– Quanto tempo? – ele pergunta esperançoso.

– Não começa…

– Fica com o anel. – Ele diz tirando a joia do bolso. – Não precisa usar. – ele acrescenta ao notar minha expressão. – Só fica com ele.

Pego o anel porque é o único jeito de não prolongar o momento.

– Você precisa ir agora.

– Eu sei. Só quero te pedir mais uma coisa.  Não beija…

Inacreditável

– Você não está na posição de me pedir isso.

– Só não beija o Logan. Não fica com ele.

Franzo o cenho em confusão.

– De onde você tirou isso?

– Vocês tem essa ligação, eu me habituei no decorrer dos anos. Mas… Promete.

– Eu prometo. – Digo sem pensar duas vezes. – Não é isso que eu e o Logan somos.

No momento que as palavras saem da minha boca, elas soam erradas.

(mais…)

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