NaNoWriMo
30.10.2019

Há uns anos eu me deparo com esse termo esquisito, então sem mais delongas NaNoWriMo é a abreviação de NAtional NOvel WRIting MOnth, ou seja, Mês Nacional de Escrita de Romances.

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PUBLIQUEI UM LIVRO II
11.09.2019

Continuando com a série do escrevi e publiquei um livro, a primeira parte está aqui.
Vamos para a parte de encontrar uma editora. Bom, eu não sabia como funcionava um processo de publicação e o que eu fiz foi mandar e-mails para grandes editoras perguntando sobre como funcionava.
Algumas nem responderam, outras cobraram 15 mil reais e eu fiquei a ver navios.

Deveria enviar meu manuscrito? Deveria desistir? A solução que encontrei foi me inscrever em alguns concursos, quando não obtive resultados percebi que pagar para publicar era a melhor saída (não façam isso em casa, crianças).

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PUBLIQUEI UM LIVRO I
04.09.2019

Oi pessoal, esse provavelmente é o post que mais escrevo e apago nesse blog. Mas agora vai, vocês fizeram algumas perguntas no Instagram sobre escrita e acho que é uma boa maneira de começar.

INSPIRAÇÃO E PROCESSO CRIATIVO

Muita gente perguntou sobre minhas fontes de inspiração, então vamos começar do começo. Publiquei em 2013, eu tinha 21 anos e esse momento da minha vida, influenciou na escrita do livro. Acredito que para criar conteúdo, primeiro você precisa consumir conteúdo, é dai que vem minha inspiração: livros, músicas, filmes, podcasts, até histórias e gestos de outras pessoas. O escritor é, antes de tudo, um observador.

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TITANIC | WRITING TAG
31.07.2018

Oi gente! Queria conversar mais com vocês sobre a minha faceta de escritora, mas não sabia como começar até encontrar essa tag no Brincando de Escritora.

Eu vou responder perguntas relacionadas ao filme Titanic ligando ao meu e-book disponível na amazon: Céu de Tangerina.

Além de Céu de Tangerina, eu escrevi um livro chamado Mais Brilhante Que O Sol que foi publicado por uma editora e que hoje já não está mais disponível no mercado; depois, Folhas de Vidro Colorido que vou revisar e colocar na amazon em breve e no momento, estou escrevendo uma série ainda sem nome, ufa!

Sobre o livro

Logan e Giovana são melhores amigos. Ela namora e ele curte a solterice, mesmo porque a mulher que ele quer não está disponível. Logan já se acostumou a ser apaixonado pela melhor amiga e não ser correspondido. Quando Giovana termina o seu relacionamento de anos, ela embarca em uma jornada de autoconhecimento e se dá conta de uma verdade: ela sempre foi apaixonada pelo melhor amigo. Acontece que nesse meio tempo, Logan finalmente conseguiu se apaixonar por outra pessoa…

Às vezes, nos apaixonamos pela pessoa errada e juramos que ela é a certa. Outras vezes, o amor está bem na nossa frente e não conseguimos enxergar.
Giovana e Logan são melhores amigos e levam bastante tempo para descobrir que, na verdade, foram feitos um para o outro.

 

TAG

  • Rose – O que faz a sua personagem principal ser forte, marcante?

Acho a Giovana muito focada e ela é aquela amigona que não pergunta demais, só vai, sabe? Ela respeita demais o espaço individual de cada um e eu acho isso muito especial.

  • Já faz 84 anos… – Seu livro tem cenas de flashback? Se não, como você lida com o passado dos personagens?

Não é um recurso que eu adoro, mas confesso que escrevo alguns flashbacks sim <3

  • Jack – O que torna o casal principal tão amado?

Acho que a cumplicidade deles que antes de qualquer coisa são amigos.

  • Eu sou o rei do mundo! – Qual trecho do livro você acha que as pessoas vão citar depois de ler?

Awn, eu adoro vários trechinhos, vou escolher um aleatório aqui:

Queria que você se visse através dos meus olhos, Gi. Só assim saberia o quando você é linda.

  • My heart will go on – Tem um amor proibido no seu livro? Se não for proibido, que obstáculos o casal tem que passar para ficar juntos?

Acho que já ficou bem claro na sinopse… Não tem amor proibido. O obstáculo é que quando um não está comprometido o outro está hahahaha é a vida acontecendo.

  • Coração do oceano – A história tem uma meta?

A meta é eles finalmente ficarem juntos.

  • Pinte-me como uma de suas garotas francesas – Tem alguma parte do seu livro que você sentiria vergonha se sua família lesse?

Não, porque até eu tenho vergonha dessas coisaz kkkk.

  • Iceberg – O que você acha falho no seu enredo?

Acho  que alguns erros técnicos de quem escreve adoidado hahaha mas eu até gosto.

 

Espero que vocês tenham gostado desse conteúdo. Beijos e até a próxima!

Trecho Do Meu Livro: Céu de Tangerina
01.10.2017

Oi pessoal <3

Esse post é muito especial pra mim. Pra quem não sabe, eu sou metida a escrever histórias de amor. Já tive um livro publicado (que hoje não é mais encontrado) e ao mesmo tempo que essa foi uma das melhores experiencias da minha vida também foi a mais frustrante. Demorou um tempo até eu sentir vontade de escrever novamente, mas aconteceu e depois de ter participado de um concurso para publicar e perder, resolvi me auto publicar na amazon.

Sinopse:

Às vezes, nos apaixonamos pela pessoa errada e juramos que ela é a certa. Outras vezes, o amor está bem na nossa frente e não conseguimos enxergar.

Todo mundo já teve um amigo que na verdade foi um crush. Mas quantas vezes essa amizade evoluiu para uma linda história de amor? Giovana e Logan são melhores amigos e levam bastante tempo para descobrir que, na verdade, foram feitos um para o outro.

 

Trecho:

Saio do banheiro, pronta para encará-lo, mas esbarro em um cara. Ele é alto. Muito alto. E ruivo, até seus cílios são vermelhinhos, é meio que fofo e hipnotizante porque eles se tocam de leve como as batidas das asas de uma borboleta preguiçosa. Ele me segura pelos ombros e acho que é isso que me impede de me afogar em seus olhos azuis.

– Cuidado, Houston – voz dele é rouca e arrogante.

– Desculpa! Eu… – Franzo o cenho atordoada. – Você me chamou de Houston?

O ruivo abre um sorriso enorme – nossa senhora – e liberta meus ombros de seu aperto. Aproveito para fazer um check up e concluo que ele derrubará muitas calcinhas por aqui, mas espero que a minha continue intacta.

– É só uma brincadeira. Logan Hunt – se apresenta estendendo a mão.

Logan Hunt é o estereótipo perfeito. Noto quando um cara passa por ele dando-lhe um tapinha nas costas e o chamando pelo sobrenome. Atletas – eles amam se chamar pelo sobrenome. Se eu estiver no caminho certo, ele não é o mais inteligente da classe, a beleza deve compensar isso.

– Prazer em te conhecer, Logan Hunt – digo dando as costas e indo em direção à Bea e Matt que estão olhando pra mim.

– E você é… – ele diz estendendo a frase, me fazendo olhar por cima do ombro e sorrir.

– É melhor começar olhar por onde anda, Dallas.

 

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Espero que vocês gostem <3

Vinho de Cereja – Capítulo dois
28.09.2016

Capítulo Um

 

Capítulo 2

Ele não está tão a fim de você

 

Anos depois

Estou terminando de me vestir quando ouço a campainha tocar. Olho meu relógio de pulso: seis e meia da manhã. Tão pontual e tão cedo assim, só pode ser a Carol. Ela voltou do intercâmbio na França semana passada e quer me acompanhar no Pilates para conhecer, depois de ver minhas fotos no Instagram na quais estou em várias posições inusitadas.

Abro a janela do quarto para deixar o ar circular e para o dia me trazer boas vibrações, arrumo minha cama e dou uma olhada geral para ver se não deixei nada fora do lugar. Nos primeiros semestres da faculdade, eu e a Bea alugamos esse apartamento. Meses depois, ela ganhou uma bolsa para estudar fora e eu acabei ficando sozinha. Mesmo assim, não desisti da ideia porque simplesmente amo esse lugar. Não tem nada demais. É pequeno, mas tem janelas amplas que o deixa sempre iluminado e uma sacada que eu enchi de plantas. Gosto de acordar cedinho e tomar café na sacada, enquanto pego os primeiros raios de sol da manhã. Gosto mais ainda de me sentar entre as plantas, depois de um dia de trabalho pesado, de banho tomado e com uma taça de vinho branco nas mãos, aproveitando a brisa noturna.

Divido meu tempo entre trabalhos freelas – que se resume a alguns sites, logos e coisas pequenas – os cuidados de casa, Pilates e Daniel. Às vezes, me pego pensando em como viemos parar aqui. Anos atrás ele me chamou para sair, um cinema daqui, um jantarzinho dali… Tenho a sensação de que em algum momento, fechei os olhos para beijá-lo e quando acordei, três anos já tinham se passado. Nunca rolou um pedido de namoro oficial, é simples assim, estamos juntos. Ouço tons de voz alterados vindos da sala e é melhor eu sair rápido se quiser manter minha casa inteira.

– O que você está fazendo aqui? – Carol pergunta irritada.

– Ei, Carol. – Logan a cumprimenta com a voz cinicamente sonolenta. – Entra.

Há anos eu e Logan somos inseparáveis. Carol não esteve aqui para presenciar o amadurecimento da nossa amizade e deve está achando a situação toda bem confusa. Semanas depois de Logan ter entrado definitivamente para a nossa turma, ela viajou para França, logo Bea ganhou uma bolsa para estudar na Irlanda. Eu fiquei sozinha e depois da noite no chalé, eu e Logan acabamos desenvolvendo essa amizade, sendo ele, inclusive, meu cupido – mesmo contra vontade – da história com Daniel. Ele sabe tudo sobre mim e eu sei tudo sobre ele. Temos essa conexão que só pode ser de outras vidas. Já fomos parados algumas vezes para sermos questionados se somos namorados, mas o pensamento sequer passa pela nossa cabeça. Ele diz que eu sou inteligente demais pra ele e eu nunca conseguiria namorar alguém tão bonito. Mas não é como se Carol não soubesse, afinal viajamos juntos para alguns lugares e recheamos nossas redes sociais com fotos e boas lembranças.

Indo para a cozinha a vejo parada na porta. Logan está de frente para ela e de costas pra mim, usando uma calça jeans baixa, descalço e sem camisa, apoiando o braço no portal. Ele adora provocar. Ela me vê por baixo de seu braço e é a deixa que precisa para empurrá-lo violentamente e entrar no apartamento, mas Logan é Logan. Ele quase não se mexe e ela passa espremida por entre a porta e seu corpo sarado. Reviro os olhos, eles não podem ser adultos.

– Giovana, o que está acontecendo aqui? – ela diz como se fosse a mulher traída que acaba de pegar o marido no flagra com a melhor amiga

– Bom dia. – Digo enchendo a cafeteira com água e café. – Eu é que pergunto. O que está acontecendo aqui?

Carol coloca as mãos na cintura, vestindo roupas de ginástica justas e o cabelo preso em um rabo de cabelo alto e apertado. Está comicamente nervosa.

– O que esse palhaço tá fazendo semi nu na sua casa a essa hora da manhã? – ela diz adotando um tom acusatório.

– Logan não gosta de voltar dirigindo pra casa quando bebe, dai, ele passa a noite aqui no sofá – explico calmamente.

Logan mora longe do centro, é comum ele dormir no meu sofá às sextas ou sábados ou o final de semana inteiro. Já dormimos na mesma cama algumas vezes, começamos assistindo filme e quando vemos já amanheceu. Mas Logan tem o sono agitado, então o sofá acaba sendo a melhor opção. Carol bufa ao ver o lençol e o travesseiro que estão jogados no sofá.

– O Dani ligou, disse que vai se atrasar – Logan passa o recado se juntando a mim na cozinha.

– Que novidade! – meu namorado parece ser alérgico a pontualidade e isso me mata. – Lo? Veste a camisa – censuro depois de despejar café em uma caneca.

– Por causa dela? – ele pergunta indignado.

Deus me dê forças.

– Porque estamos saindo e você precisa manter a roupa no corpo, já falamos sobre isso.

– O Dani sabe desse arranjo de vocês? – Carol pergunta perplexa com nossa rotina.

– Sabe. Qual é o problema? Eu e o Logan somos amigos, não estamos fazendo nada de errado, Carol.

O café queima minha boca e eu praguejo baixinho, Logan se encosta na bancada exibindo os seis gominho da barriga sarada.

– Ela está assim só porque eu não quis comer ela na festa de despedida – ele diz coçando a barba.

– Logan! – chamo sua atenção.

Um dia antes de a Carol viajar para a França, nós fizemos uma festinha. Todos nós passamos dos limites com as bebidas, mas a Carol se superou. Lembro-me nitidamente de estar conversando com o Logan na varanda, não lembro sobre o que falávamos, mas estávamos perto demais. Ela chegou, colocou os braços no pescoço dele e o guiou até seu quarto. Quinze minutos depois, Logan voltou atordoado e me encontrou conversando com o Dani. Ele não contou o que aconteceu lá dentro, mas até agora eu achava que tinha rolado uma rapidinha, mas afinal de contas, nada aconteceu.

Suspiro. Carol sai pisando duro, soltando fogo pelas narinas e bate a porta com força.

– Precisava? – reclamo em vão porque ele parece bem satisfeito. – Tranca a porta. E veste a camisa – digo enquanto jogo o resto da minha xícara de café fora.

– Ei! Você volta que horas? – pergunta quando passo por ele.

– Não sei, lá pelas sete? Te mando mensagem.

– Você vai se sair bem, não fica nervosa.

Eu não tinha percebido que estava nervosa, até me sentir subitamente calma pelas palavras de Logan. Hoje vai ser minha primeira entrevista de emprego desde que tenho um diploma. E não é só por causa da entrevista, é que se tudo der certo eu vou ter um emprego. Um emprego de verdade! Isso é tão adulto. Eu tenho um noivo, estou prestes a ter um emprego e não tenho ideia de como lidar com isso. Parece meio bobo, é bobo! Afinal, moro sozinha há anos e tenho um noivo há meses, não é como se fosse repentino, é só que ter um emprego fixo, parece fazer com que tudo fique sério demais. Logan alcança meu pulso e brinca com meu relógio.

– Você é talentosa, Gi – ele diz buscando meus olhos, me fazendo abrir um sorriso radiante pra ele.

– Preciso ir. – Me despeço dando-lhe um beijo na bochecha. – Obrigada.

Pego minhas chaves e vou atrás da Carol.

*-*-*

Há algo de mágico quando o céu assume o tom violeta alaranjado no final da tarde, sempre fico hipnotizada com essa beleza. Abro a janela do carro quando me a próximo da ponte, o apanhador de sonhos pendurado no retrovisor dança com a brisa que entra. Eu adoro passar por aqui, o cheiro muda, a temperatura cai, mas mesmo assim me sinto aquecida pelas lembranças. Nessa ponte, anos atrás eu conheci o Logan e meses depois foi onde Dani disse que me amava pela primeira vez. Olhando agora o diamante na minha mão esquerda, sinto que está tudo certo e se encaminhando para um final feliz. Tomada por todas essas lembranças, conecto meu celular no carro e ligo para o meu noivo para avisar que cheguei na cidade antes do previsto e que finalmente podemos cozinhar o risoto de cogumelos que vimos na internet.

Chama até cair e esse é o empurrão que o destino precisava me dar para eu fazer uma surpresa. Paro no supermercado a um quarteirão do apartamento do Dani e depois de uma rápida inspeção pelas prateleiras, compro cogumelos, pimentão, tomates e queijo, a caminho do caixa, escolho uma garrafa de vinho branco. Perfeito! Enquanto passo as compras no caixa, ligo pro Logan.

– Olá, senhorita – ele atende prontamente, me fazendo sorrir porque o telefone mal chamou.

– Uau. Tava com o celular na orelha?

– Não me orgulho disso, mas confesso que sou rápido no gatilho.

– Sendo assim, acho que na despedida da Carol, rolou mais do você estava pronto para admitir hoje de manhã – tiro sarro.

– Você sabe que não –  sua risada vibra do outro lado da linha.

Agora eu sei que não. Todos esses anos, Logan odiou a Carol porque ela é uma megera com ele, mas verdade seja dita, ele não deixa barato. Não sei bem qual é o problema com os dois, mas suspeito que Carol não lidou bem com um fora, embora ela nunca vá admitir isso.

– Então… Parece que vamos trabalhar juntos, afinal – conto a novidade.

– Meus parabéns, mas eu já sabia – ele diz calmamente.

Depois de uma rodada de entrevistas, consegui emprego na agencia em que o Logan é alocado, mas eu vou trabalhar diretamente com um cliente.  Consegui pegar o rebranding de uma marca que fez sucesso nos anos noventa e agora está de volta ao mercado. Logan foi peça fundamental nessa conquista, ele mostrou meu trabalho de Lettering para um amigo, que tinha uma amiga que conhecia alguém da marca e me colocou na jogada.

– Eu só queria agradecer a força se não fosse você me indicado…

– O mérito é todo seu. Você, Giovana Teles, é uma sabichona talentosa.

– Oitenta e dois reais e trinta centavos, senhora – a moça do caixa anuncia. Insiro meu cartão na maquininha e informo débito.

– Estou no supermercado, vou tentar fazer um risoto, topa? – convido.

– Huum… Estou tentado, mas já tenho compromisso.

Quando Logan fala que tem compromisso é um código secreto para “vou transar hoje”. Em sua defesa, ele nunca deixou de sair conosco por causa de mulher. Ele sempre diz que amizade vem em primeiro lugar.

– Compromisso? Desde quando rabo de saia é compromisso, Logan?

Depois de um silêncio incômodo, ele solta:

– Acontece que esse rabo de saia… Talvez, seja diferente.

Caminho até meu carro com o celular preso entre meu ombro e a orelha enquanto equilibro minhas sacolas nas mãos. Essa informação me pega de surpresa. Consigo imaginar sua nuca ficando vermelha por ter me contado isso porque sinto minha própria nuca pegando fogo.

– Alô? – a voz dele soa tímida.

– Você está falando sério? – pergunto.

– Estou. Sai com ela algumas vezes, a gente…

Algo cresce no meu peito, sou tomada por uma ansiedade esquisita e não consigo controlar o impulso de fazer um milhão de perguntas. Por anos, nós nunca deixamos nada pra depois e agora meu melhor amigo está saindo com uma garota que eu nem faço ideia de quem seja.

– Algumas vezes? O que aconteceu com a famosa regra de não sair com a mesma garota duas vezes na mesma semana, nem quatro vezes no mesmo mês? E quando você ia me contar?

– Respira. Eu ia te contar amanhã, no café da manhã. – Ele faz uma pausa antes de perguntar desconfiado, – Ainda está de pé, né?

A tradição de tomar café da manhã começou em um sábado quando ainda estávamos na faculdade. Eu estava pilhada, estudando para uma prova quando Logan invadiu meu quarto avisando que eu precisava relaxar. Caminhamos alguns quarteirões, eu ainda meio preocupada com as linhas que precisava ler e ele tentando me fazer relaxar, inventando piadas e tentando descobrir o que eu pediria do cardápio. Durante todos esses anos, caminhamos algumas quadras, compramos café no Coffee Royal e seguimos em direção ao Carameldream também conhecido como melhor café da manhã da vida.

– Gi? – ele me coloca de novo na conversa.

– Claro. – digo balançado a cabeça, tentando me livrar do desconforto. – Claro!

– Bolo de banana cremoso com sorvete de creme? – ele tenta adivinhar meu pedido.

– Acho que você vai ter que esperar até amanhã para descobrir. Amo você, Lo.

– Amo você, Gi.

Fico sentada no banco do motorista alguns instantes antes de dar partida. Depois de anos presenciando o desfile interminável de modelos, médicas, garotas alternativas, atletas e aquela vez que ele saiu com uma proctologista de cinquenta anos, Logan está se amarrando. E isso é sério! Estou feliz porque ele merece. Logan merece todo o amor do mundo. Mas não posso ignorar o frio na minha barriga, eu vou ter que dividir meu melhor amigo. Encaro meu reflexo no retrovisor, minhas bochechas estão vermelhas, os olhos arregalados e pequenas gotas de suor povoam a minha testa. Dou partida no carro, deixando esses pensamentos egoístas para trás.

Em cinco minutos recolho tudo o que está jogado no banco de trás, para subir para o apartamento do Dani. Equilibro as sacolas de supermercados em um braço e minhas pastas e blazer no outro. O apartamento está quieto quando entro, coloco minhas pastas e o blazer no sofá e as compras no balcão da cozinha. Dani está em casa, sei disso porque suas chaves, carteira e celular estão sob o balcão, talvez esteja tirando uma soneca. Abro a porta do quarto com cuidado, os lençóis estão bagunçados e ouço o barulho do chuveiro ligado. Bingo! Sento na beiradinha da cama, louca para libertar meus dedos da opressão das botas. Quase reviro os olhos de prazer quando minha sola toca o chão gelado, eu amo ficar descalça, o Dani odeia. Prendo meu cabelo em um coque alto e vou até o banheiro, notando que a porta está só encostada. Ouço um ruído baixinho e a abro um pouco.

– Assim está gostoso?

A bile sobe na minha garganta. É a voz do Daniel. Pela fresta da porta, vejo uma calcinha na pia, calcinha essa que não me pertence. Cubro a boca. Mais gemidos. Mais palavras. As palavras que ele usava comigo. Usa comigo. Estou prendendo a respiração, minhas mãos começam a tremer e eu me afasto da porta como se ela tivesse me eletrocutado. Olho para a bagunça na cama, a mesma cama em que fizemos amor noite passada. Me afasto como se há qualquer momento esses lençóis pudesse criar vida própria e me estrangular. Pego minhas pastas e ao pegar o blazer, o anel no meu dedo grita, analiso a pedra preciosa… Incrível como o significado de um objeto muda com apenas uma atitude. Tiro o anel e o coloco em cima da mesinha de centro. Não quero ter que olhar pra ele de novo, não quero escutar uma explicação fajuta.

Atordoada, opto pelas escadas porque se eu ficar parada no elevador tenho a sensação de que o prédio inteiro vai desabar na minha cabeça. Não paro nem quando chego ao carro, as mãos ainda trêmulas parecem ter vida própria quando dão partida, fazendo os pneus cantarem, sabendo que só tem um lugar para onde quero ir.

Bato na porta do Logan, sem nem saber como consegui chegar aqui. Não derramei uma lágrima, mas sinto um bolo queimando minha garganta me sufocando. Ele abre a porta usando só uma calça de moletom, eu devo está péssima porque a cara que ele faz me despedaça.

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